Anderson Tevez
Estamos presos, no próprio personagem que criamos!
E os jogadores? Esfregam na nossa cara isso...verdade lamentável...bando de celebridade sem áurea corithiana...
em Bate-Papo da Torcida > Quando a torcida normaliza a incompetência
Em resposta ao tópico:
“Sou maloqueiro, corinthiano e sofredor”. O grito ecoa como se fosse poesia de resistência, mas se transformou em prisão. O corinthiano aprendeu a dar sentido à dor, a transformar cada derrota em identidade, a romantizar o fracasso como se fosse virtude. “1x0 é goleada”, “Corinthians pode perder, mas tem que ter raça”, “corinthiano gosta de jogador raçudo” — frases que viraram dogmas, repetidos sem reflexão. O que parece orgulho é, na verdade, uma cultura de acomodação.
E enquanto nós repetimos o mantra do sofrimento, o futebol moderno passa por uma transformação profunda. SAFs, profissionalização, planejamento de longo prazo, estruturas de alto rendimento. Mas no Corinthians, o torcedor ainda celebra a mediocridade como se fosse tradição. Idolatramos a corrida sem direção, a raça sem qualidade, o suor sem resultado. No fundo, internalizamos a ideia de que sofrer é parte inevitável de ser Corinthians.
A questão é psicológica e social: há uma diferença entre elaborar o sofrimento e glorificá-lo. Elaborar significa transformar a dor em força para mudar. Glorificar significa aceitar a dor como destino, como marca de identidade. O corinthiano fez da humilhação um lugar de conforto. O sofrimento, que deveria ser exceção, virou regra. E a regra virou orgulho.
Enquanto isso, a poucos quilômetros de distância, a torcida do Santos mostrou uma outra postura. Protesto, vaias, torcedores nas arquibancadas de costas para o time, cobrança de ídolos, invasão de CT. Podemos discutir os limites, mas há algo inegável: eles não aceitaram a mediocridade como parte da identidade santista. Eles gritaram que ser humilhado não é normal. Eles rejeitaram a passividade.
No Corinthians, ao contrário, a passividade é romantizada. O torcedor se orgulha de sofrer, como se isso fosse uma forma de resistência. Mas no fundo, virou um vício — uma narrativa que protege dirigentes incompetentes, conselheiros omissos e jogadores sem nível técnico. O mito do sofrimento serve como anestesia: “se é Corinthians, tem que ser sofrido”.
Mas será que precisa? Será que um clube com a história, a torcida e a grandeza do Corinthians precisa se apequenar sob o pretexto de ser “diferente”? Ou será que desaprendemos a cobrar? Talvez o problema não esteja apenas nos gabinetes ou nos gramados, mas também nas arquibancadas e nas redes sociais, onde preferimos repetir frases feitas a exigir grandeza real.
As perguntas que ecoam são incômodas, mas necessárias: será que sempre tem que ser sofrido? Ou será que o corinthiano se acostumou a amar a própria dor mais do que a própria vitória? Será que o corinthiano realmente gosta de sofrer, ou apenas desaprendeu a exigir grandeza?
