Charles Silva
Muitos torcedores do Corinthians rejeitam a ideia de transformar o clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), alegando que o Timão não pode ter um dono. Dizem que o Corinthians é do povo, da Fiel, da democracia corinthiana. Mas o que poucos percebem — ou preferem ignorar — é que o clube já vive, na prática, uma espécie de SAF informal: uma SAF dos conselheiros.
O modelo atual concentra poder em um grupo restrito de dirigentes e conselheiros que, há décadas, se revezam no comando do clube. São eles que decidem os rumos financeiros, políticos e esportivos do Corinthians, muitas vezes sem transparência, sem prestação de contas efetiva e, pior, sem compromisso com a sustentabilidade a longo prazo. O resultado? Dívidas bilionárias, contratos obscuros, gestões desastrosas e um clube à beira do colapso.
Essa “SAF dos conselheiros” não tem dono formal, mas tem donos de fato: figuras que tratam o Corinthians como patrimônio pessoal, como moeda de troca política, como trampolim para interesses próprios. E enquanto isso, o torcedor — o verdadeiro dono — assiste impotente à destruição do maior clube do Brasil.
A resistência à SAF formal é compreensível. Ninguém quer ver o Corinthians virar um brinquedo de bilionário estrangeiro. Mas é preciso encarar a realidade: o modelo atual já fracassou. E se a alternativa for continuar nas mãos de quem levou o clube ao fundo do poço, talvez seja hora de repensar o que realmente significa “ser dono” do Corinthians.
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