Vinícius Alves
Houve um tempo que julguei que o Corinthians teria a hegemonia sobre o futebol brasileiro por um bom tempo. Mais precisamente numa quarta feira de Libertadores, quando fomos a campo com um meio campo formado por Zidanilo, Renato Augusto, Paulinho, Ralf e no ataque Pato e Guerreiro. Era um tempo que quem repatriava jogadores de seleção da Europa era a gente e não o Flamengo, como fazíamos isso praticamente sozinhos era de se imaginar uma hegemonia, embora nosso técnico adotasse um futebol bem conservador, o que víamos em campo era suficiente para dominar o futebol brasileiro e sulamericano. Só que essa ideia/oportunidade logo passou, não só por fatores externos como a arbitragem do Amarilla 2013, mas também porque quem administrava o clube cometeu o grande erro de construir um estádio num modelo financeiro que era praticamente um suicídio contábil. Assim aquela gestão que assumiu o clube, após o rebaixamento, apostando em alavancar receitas primordialmente antes de cortar gastos, arrumou um problema que passou a escoar boa parte das receitas do clube e não há alavancagem que estanque um estádio que custa quase 1 bilhão. Enfim, nesse redemoinho o Corinthians deixou passar a chance de ser hegemônico no futebol brasileiro ou ao menos o time mais temido. Para piorar nosso declínio, vimos nossos arquirrivais estadual (Palmeiras) e Nacional (Flamengo) estruturem suas dívidas, por caminhos diversos que não se resumem aqui. O que vimos ontem em Itaquera foi mais do que um choque de realidade no campo, foi também um choque de realidade financeiro e estrutural que deve levar a perguntas mais profundas sobre qual patamar o clube se encontra realmente. Vimos que ter só um bom técnico não basta, que é preciso ser bom fora do campo também. Constatamos que o modelo de contratação de veteranos se mostra equivocado dada a baixa disponibilidade destes jogadores para os jogos e sabemos que para contratar jogadores de bom nível e mais novos não basta viver esperando 'oportunidades de mercado' é preciso ter poder de compra nem que isso implique recuar, cortar gastos de verdade para depois retornar mais forte ao mercado.




