Paulo Ferreira
A primeira coisa a se destacar é o quanto o futebol retranqueiro, posicional (popular cerca frango), reativo e atrasado que se pratica no Brasil contaminou o torcedor com teorias que não se sustentam fora do papel.
Hoje vemos grande parte dos torcedores apavorados com a possibilidade de jogar o Cantillo na vaga do suspenso Gabriel, como se o Gabriel fosse um baita marcador e não o jogador que mais tomou dribles em campo na partida contra o América MG.
Com a entrada do Cantillo, apenas na teoria o Corinthians perde um marcador, na prática ganha alguém que sabe tratar a bola no lugar de um que nem marca e nem acerta um passe pra frente.
Dito isso, vamos falar de marcação.
Diante das partidas ruins que o Gabriel vem fazendo e do contraste em campo quando o Xavier entra nos minutos finais para fechar o time e consegue uma roubada de bola ou duas, no imaginário do torcedor o Xavier pinta como o Ralf no auge, mas na realidade é um jogador ainda pouco testado com as instabilidades naturais de quem acaba de subir de uma base que pouco lapida os atletas.
Na cabeça do torcedor surge uma dúvida legítima: 'se o Gabriel tem tantas chances atuando desse jeito, por que não testar o Xavier? '.
É uma dúvida justa, que só pode ser resolvida com uma sequência para o jogador especulado na vaga (coisa que nenhum treinador até agora fez), mas de todo modo estamos tratando de uma expectativa, não de uma certeza.
Então onde está o grande perigo nessa escalação em tese sem ladrões de bola cogitada para o Derby?
Bom, aí problema está na incoerência do treinador.
Seria absolutamente normal os times brasileiros atuarem todos dessa forma, sem a necessidade de um brucutu em campo, desde que a estratégia adotada por essas bandas seguisse não só a prática do que se entende por futebol atualmente na Europa, como basicamente no resto do mundo inteiro.
Não é por acaso que os times brasileiros tem feito jogos de igual pra igual e sofrendo reveses no Mundial de Clubes contra equipes de continentes menos tradicionais, por aqui os treineiros pararam no tempo e mesmo os clubes tendo mais condições financeiras e melhores peças que os concorrentes sul-americanos, não há uma sobra técnica considerável em campo, pois a parte tática é muito defasada.
Sylvinho com seu certificado UEFA parece tentar preparar o time em um limbo entre a ideia Mano Menezes e o futebol europeu, o resultado em campo é um desempenho de várzea.
O time não tem a desenvoltura e movimentação ofensiva dos times de fora, o time não marca na saída de bola do adversário, o time não ocupa o campo de ataque, joga um futebol recuado, estático e sem proteção na entrada da própria área.
É como juntar todos os pontos fracos dos dois universos táticos e não colocar em prática nada dos pontos fortes.
Resumindo: o problema não está exatamente na escalação, mas sim em não ter um esquema que faça jus a ela.
Marcação forte hoje em dia se faz na entrada da área do oponente, dali pra trás todo mundo é sobra e quem tem melhor qualidade técnica do meio pra frente tem obrigação de criar mais e se impor no jogo, não ficar no próprio campo esperando pra reagir a movimentos do adversário.
em Bate-Papo da Torcida > Precisamos conversar sobre esse lance de Gabriel - Xavier - Cantillo



