Carlos Cesar
Texto sensacional, parabéns Milena.
em Notícias > Comparar laranjas com canetas
Em resposta ao tópico:
Repitos aqui mensagem para o Jô e todos corintianos:
Essa imprensa partidista e clubista, além de parcial, é muito descerebrada quando lhe convém. Comparar a jogada da falta no Rodrigo Caio com a do gol do Jô é bem sem sentido, são duas situações bem distintas. É como comparar laranjas com canetas. Posso dizer que a caneta é mais doce ou azeda que a caneta? Ou que a caneta escreve melhor que a laranja? Não, são duas coisas incomensuráveis (sem medidas comuns) e, portanto, incomparáveis.
A atitude do Rodrigo foi a de um gentleman, um cavalheiro, pois avisou o juiz que quem o tinha atropelado tinha sido seu próprio companheiro e não o Jô, o que resultou no cancelamento do cartão que o Jô havia recebido injustamente nesse lance. Foi uma rara conduta ética, é verdade, mas temos que discernir que ocorreu numa situação em que não havia nenhum envolvimento passional maior e nenhuma consequência prática em termos de placar.
Portanto, sem querer desmerecer o ato do Rodrigo, temos que reconhecer que foi uma situação em que é “mais fácil” (embora pouco comum) fazer uso da consciência ética e ser correto, o que ele foi pois é um bom menino. Agora, se a mesma jogada tivesse tido desdobramentos, por exemplo, se naquele choque a bola tivesse sobrado para o Jô e ele tivesse feito um gol anulado pelo juiz por suposta falta dele no Rodrigo, duvido muito que o Rodrigo teria avisado o juiz que não tinha sido o Jô quem havia se chocado com ele. Ninguém faria isso, e os jogadores do SP teriam ficado bem caladinhos, todos, inclusive o Rodrigo Caio. É da nossa cultura, mas também tem que ver com o instinto de autopreservação, especialmente no contexto das disputas esportivas.
Esse instinto prevalece em grande parte das disputas, em 99,9% das situações, se não em 100%. É claro que o Jô não achou que o gol deveria ser anulado, pois a bola estava entrando praticamente e quando ele se jogou contra ela para garantir que entrasse, o peito não alcançou a bola e esta bateu em seu braço. Com boa vontade, dá pra perceber isso nitidamente nas imagens. É claro que ele achou justa a jogada e merecido o gol. Só depois ele pôde ver que houve irregularidade, mesmo que não intencional.
Agora, imprensa tendenciosa e corrupta, me dê pelo menos um exemplo de jogador que em lance semelhante avisou o juiz que a bola bateu em sua mão? Um exemplinho apenas. E olha que tem mãos e mãos, algumas bem intencionais, como a do Maradona e a do Thierry Henry nas copas.
E não precisa ser só de mão na bola. Vejam a quantidade de lances faltosos que ocorrem todo tempo e que o juiz não marca. Algum jogador para o jogo e avisa o juiz que cometeu falta? Claro que não, nenhum. E quando o juiz marca juram por deus que não cometeram a falta claríssima, e muitas vezes creem sinceramente que não cometeram, na paixão do momento, em que tudo parece legítimo. Os zagueiros do Vasco avisaram o juiz que cometeram falta na área contra o Jô ou aquele ippon no Balbuena (este último, pênalti escandaloso, ignorado totalmente pela imprensa)? Claro que não. Ninguém faz isso, nem faz sentido que se faça. E isso não tem nada que ver com ética. É do jogo, simplesmente isso. Erram contra mim, erram contra os outros.
Então, Jô, fique tranquilo, você é um bom menino e agiu de boa-fé, embora dentro dos limites da falibilidade humana, muito humana, e da vida esportiva. Curioso que só lance que envolva o Corinthians negativamente interessa à imprensa. Por quê, se há tantos lances polêmicos em todas as rodadas? A má-fé é notória.