João Domingos
Pelas redes sociais, com exceção dos comentários mais óbvios, o que mais tenho visto são elogios ao Vitinho e ao Bidon como meia. Pois bem, o Dorival já havia dito em maio que o Bidon não era volante e que tinha “todas as características de um meia”, e muita gente só foi perceber isso nos últimos jogos.
São meses de trabalho até começar a aparecer alguma coisa. O Vitinho, que chegou com aval do Dorival e tem ajudado, nem estaria aqui se dependesse do torcedor.
Será que o trabalho dele é tão horroroso assim como muitos fazem parecer?
Lembrando que os quatro reforços prometidos para ele não chegaram. Testou o Coronado, viu que não tinha condições e deixou ele ir embora; o mesmo com o Alex Santana. Tinha gente pedindo chance para o Héctor, ele afastou e testou o Gui Negão. Testou Romero e Talles, viu que não tinham condições, e os dois perderam espaço. Testou praticamente todo mundo.
É óbvio que ele teve erros, mas um clube que passa por transfer ban, impeachment de presidente, promessas não cumpridas, e que não teve seu trio mais caro à disposição durante todo o primeiro turno do Brasileirão, é claro que terá uma margem de erro muito maior para o treinador. Ainda assim, o treinador também precisa ter a oportunidade de aprender com esses erros e implementar sua forma de trabalhar.
Eu vejo, sim, valor na gestão de futebol do trabalho do Dorival, mesmo reconhecendo que houve erros, e sou a favor de dar continuidade. O Palmeiras já começou o planejamento da próxima temporada. No mês passado, o diretor do Flamengo já falava na temporada seguinte, enquanto aqui tem gente que quer começar tudo do zero mais uma vez, acreditando que essa diretoria vai encontrar um baita treinador por aí.
Eu prefiro confiar na comissão do Dorival, que já conhece as limitações e possibilidades desse grupo, do que nessa direção. Mas há quem prefira acreditar que dá para reformular anos de erro em semanas ou meses.
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