Lucas Bergamin
Infelizmente, o maior culpado pela situação atual do Corinthians é uma parte da própria torcida. Sim, é duro reconhecer, mas é necessário. Não se trata de toda a massa corinthiana, mas de um grupo barulhento e impaciente que exerce uma pressão desproporcional e, muitas vezes, irracional sobre a gestão e o futebol do clube.
A família Díaz, ao contrário do que muitos propagaram, não fazia um mau trabalho. Pelo contrário, os números mostram que, dentro das limitações do elenco, o desempenho era bastante positivo. Desde a chegada de Ramón Díaz em setembro de 2023 até sua saída, o aproveitamento foi superior a 55% dos pontos disputados, o que, em um campeonato tão equilibrado como o Brasileirão, é considerável.
Mas há um ponto que muitos se recusam a aceitar: o Corinthians, hoje, não tem elenco para brigar por títulos de expressão. E isso é uma constatação, não pessimismo. O clube vive uma crise financeira que limita investimentos pesados, enquanto rivais diretos como Palmeiras, Flamengo, Atlético-MG e até o Internacional têm elencos mais robustos e equilibrados.
Portanto, esperar resultados imediatos, com futebol vistoso e taças levantadas, é uma ilusão. É preciso paciência, algo que parte da torcida infelizmente perdeu. E o preço disso foi a demissão de um técnico promissor, com bom retrospecto e que começava a implantar um trabalho consistente.
Ao pressionar por mudanças sem critério, essa parcela da torcida contribui para o que já virou um ciclo vicioso no Corinthians: entra técnico, sai técnico, e o time continua no mesmo lugar — ou pior. Não há continuidade, não há projeto. A cada nova troca, perde-se tempo, dinheiro e, principalmente, identidade.
Demitir os Díaz para trazer 'refugos' é repetir o mesmo erro que o clube comete há anos. E, enquanto essa cultura imediatista persistir, dificilmente o Corinthians encontrará estabilidade dentro e fora de campo.

