Flávia Sccp
Eu amo e nem é pouco < 3
em Bate-Papo da Torcida > Revista Corinthians n° 2, dezembro 1949
Em resposta ao tópico:
Hoje vamos folhear a revista Corinthians – Órgão Oficial do Sport Club Corinthians Paulista nº 2, de dezembro de 1949.
Na capa, o centro-médio Brandão. Capitão do Corinthians por mais de uma década, durante a qual conquistou quatro títulos estaduais, foi homenageado pelo clube, no Pacaembu, antes do Dérbi de 13.11.1949 (que terminou 1x1):
“Foi sempre um exemplo vivo de esportista correto, disciplinado e leal. Nada houve, em toda a sua longa carreira de esportista, que servisse, de leve que fosse, para macular o seu honrado nome. Brandão sempre foi e sempre continuará a ser uma bandeira dentro do nosso futebol.” (p. 5)
Bem, a revista começa com dois artigos lamentando a má sorte do Corinthians no campeonato paulista de 1949. Primeiro, Sergio Motta entende que:
“... Um campeonato não se conquista quando se quer. Os campeonatos se vencem quando a sorte nos ajuda. Eles aparecem por si, assim como a sorte grande.” (p. 2)
Afinal, como diria Nelson Rodrigues, sem sorte não se chupa nem um Chicabon. Depois, o redator Antoninho d’Almeida comenta que:
“É assim. Quando a má sorte persegue um clube não há santo que o salve. Tem que completar a sua ‘via crucis’. (...) Forçosamente, no Parque São Jorge deve ter alguma cabeça de burro enterrada.” (p. 21, continuação da p. 3)
Depois de cinco empates consecutivos, o único resultado a comemorar foi uma vitória de 4x1 sobre a Portuguesa Santista, em 20.11.1949, na Fazendinha, quando o Corinthians atuou com: Cabeção, Norival e Belacosa; Belfare, Newton e Hélio; Cláudio, Luizinho, Baltazar (2 gols), Nenê e Noronha (2 gols). Eis o primeiro gol:
Essa goleada até que animou a torcida, mas em vão. Mais dois empates encerraram em quinto lugar a campanha deste time:
Sem técnico, o Timão era treinado por dois diretores do departamento profissional: Christino Calaf e Manoel dos Santos. Mas tinha ídolos como o ponta-direita Claudio, que fez a seguinte previsão:
“... Em 1950 o Corinthians voltará a ser aquele Corinthians dos seus áureos tempos que, quando entrava em campo, a própria terra tremia.” (p. 13)
Antoninho também previu dias melhores, assim:
“O campeonato de 1949 já se foi. Agora, vamos esperar pelo de 1950, na certeza que será bem melhor do que este, para as nossas cores. E tem que ser, se Deus quiser.” (p. 21)
E, de fato, o Corinthians conquistou o Rio-São Paulo de 1950. Profecia certeira de Claudio e Antoninho, juntos nesta foto:
Mas se, em 1949, os titulares não estavam em boa fase, os aspirantes estavam. Bicampeões estaduais dos segundos quadros, com um time formado nas categorias de base do clube:
Aliás, o quadro juvenil do Corinthians também fez sua parte, conquistando o tricampeonato estadual da categoria (que então era sub-18).
“Isso demonstra, indubitavelmente, que dentro do Corinthians impera a chamada renovação, dando-se o máximo dos carinhos aos jogadores forjados dentro do próprio estaleiro, preparando-se uma garotada de valor que, em dias que não estão muito longe, carregarão a nossa bandeira pela verdadeira senda da glória. E é nesses rapazes que devemos confiar, porque eles jogam pela camisa que envergam no corpo.” (p. 9)
Na categoria infantil (então sub-16), se faltou título, para o chargista Julio Couto parece que não faltou raça:
O futebol feminino do Corinthians ainda não existia. Mas, sete décadas antes do tetracampeonato brasileiro das Brabas, a cronista Luana defendia a prática esportiva das mulheres:
“Eu sei que muitas jovens não praticam o esporte, ou melhor, não se arriscam a vestir um maiô sob alegação de que têm as pernas magras ou que têm um físico muito feio. Aí é que reside o maior erro. A maior ignorância.” (p. 28)
Em resumo, a revista Corinthians , em seu segundo número, já era um sucesso:
Eis sua importância, nas palavras do presidente Alfredo Ignacio Trindade:
“O nosso querido e idolatrado Corinthians Paulista é, sem qualquer sombra de dúvida, uma das maiores expressões desportivas do Brasil! O seu nome representa um símbolo de grandeza e de pujança dentro do cenário esportivo de nossa pátria! Os seus feitos, por demais gloriosos, precisam e devem ser cantados em prosa e verso; devem ser levados aos quatro cantos de nossa terra, irradiados por esse mundo afora, como hino de glórias de uma coletividade que tem no seu passado o reflexo de seu próprio futuro!” (p. 27)
O futuro agradece!

