De origem operaria, nascemos sob a luz de um lampião.
Apenas um simples e singelo lampião, sob as benções do santo guerreiro, iluminava a mente de 5 operários, no bairro do Bom Retiro, no ano da graça de 1910.
Numa época em que o futebol era coisa pra grã-finos.
E assim fomos forjados. Da simplicidade dos operários, da humildade dos excluídos.
Arrogância e prepotência são palavras inexistentes no nosso vocabulário.
E como manter a humildade e a simplicidade diante do momento em que vivemos?
Até o momento, apenas no Brasileirão, foram 12 jogos disputados, 32 pontos conquistados, dos 36 em disputa, 19 pontos como mandante, 13 como visitante (6 vitórias e 1 empate em casa, 4 vitórias e 1 empate como visitante), 21 gols a favor, apenas 5 gols sofridos (saldo de 16), com um aproveitamento de 88,9%.
Muitos pontos acima do vice-líder, mais um bocado de pontos acima do terceiro colocado e mais uma pancada de pontos acima dos demais times da tabela.
Gente, que números são esses?
Tem explicação?
Opa, tem sim.
Ontem, por exemplo. A Ponte veio bem postada na defesa. Mas não se limitou a ficar lá atrás, fechado na casinha. Saiu para o jogo, explorou ao máximo a qualidade técnica dos dois carequinhas do time (do 10º andar da Arena era quase impossível distinguir Sheik e Nino Paraíba), mas esbarraram num sistema defensivo muito mais forte, muito mais qualificado.
E quando tivemos a posse de bola, como de costume, o time se comportando com a frieza de um jogador de xadrez, daqueles da antiga Rússia, um cosplay de Anatoly Karpov.
A bola roda, o time gira, a cabeça pensa e o coração lateja. Sem pressa, com inteligência e muita frieza.
Os movimentos previamente calculados (treinados), conduzindo as ações e o adversário tentando imaginar, tentando neutralizar o movimento, o toque letal.
A bola roda, o time gira, a cabeça pensa e o coração lateja.
Na arquibancada o torcedor acompanhando tudo isso com a quase certeza que, em algum momento, virá a explosão consagradora.
A bola roda, o time gira, a cabeça pensa, o coração lateja e... Explode galera, de gol em gol o meu time é campeão.
Jadson, depois de uma defesa milagrosa de Aranha, no apagar das luzes do primeiro tempo. Um golaço.
E logo no começo do segundo tempo, o filho do Seo Dario, Jô, o menino do Terrão, decretou a vitória, 2 a 0, para delírio da Fiel.
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Ah. E o que dizer do Cássio?
Que fase. Depois de atravessar maus momentos, com a perda da sua querida vó, treinando mal, ganhando peso, perdendo a posição de titular, superou isso tudo e hoje é, sem dúvida, o melhor goleiro em atividade no futebol brasileiro.
Defendeu uma penalidade máxima e garantiu a invencibilidade da meta, que já nem me lembro mais qual foi a última vez que Cássio foi buscar uma bola no fundo da rede.
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De novo, importante destacar, com humildade, trabalhando forte, a gente vai subindo a ladeira carregando pedras.
Daquela bobageira toda da tal da quarta-força, a campeão paulista e time referência no futebol brasileiro.
Fruto do trabalho sério de um cara que considero um oásis de competência no Parque São Jorge, auxiliado por uma comissão técnica competente e esforçada e não podemos deixar de destacar o grande trabalho de Walmir Cruz, que está fazendo o time voar em campo.
Cabeça agora é no derbi.
Porque viver não é preciso.
Ganhar um derbi é preciso.
V A I C O R I N T H I A N S!
NOTA DOS JOGADORES E TREINADOR
Cássio Nota 8 Reiterando, que fase! Lucca imaginou que Cássio escolheria o canto, parou uma vez, parou de novo e o gigante ali, impassível, frio, crescendo 2 metros a cada paradinha do pobre rapaz. Defezaça.
Cássio provoca Lucca antes da cobrança do pênalti
Leo Príncipe Nota 6 É um setor que nos preocupa com a ausência do titular. Errou passes, teve dificuldades na marcação, apoiou pouco o ataque. Mas o conjunto do time compensa a deficiência de um setor.
Balbuena Nota 6,5 Firmeza, segurança, boa saída de bola, um dos pilares defensivos do time.
Pablo Nota 6,5 Em perfeita sintonia com seu companheiro de zaga.
Guilherme Arana Nota 6 Por ali a Ponte forçou as jogadas grande parte do tempo. Cumpriu bem o papel defensivo e quanto teve espaço, desceu ao ataque.
Gabriel Nota 6,5 Conseguiu ser eficiente sem fazer faltas e sem ser advertido. Estava pendurado com o segundo amarelo. Está pronto para enfrentar seu ex-clube.
Maycon Nota 6,5 Um segundo volante adaptado a modernidade do futebol. Boa marcação, presença na frente, tenta criar e quando tem espaço, chuta a gol. Eficiente.
Jadson Nota 7 Movimentou-se bastante procurando espaço e proporcionar espaços. Em alguns momentos sofreu marcação dobrada. Chute letal que abriu o caminho para a vitória.
Rodriguinho Nota 6,5 Um pouco apagado no primeiro tempo e errou alguns passes. Mas deu o passe para o gol do Jô.
Romero Nota 6,5 Peça fundamental para o time. É isso mesmo que você leu (e eu escrevi). Quem diria. Incansável na marcação, no apoio ao ataque é solidário, se tivesse melhor finalização bateria mais a gol, porque consegue criar estes espaços.
Jô Nota 8 Outro que sofreu com marcação dobrada em alguns momentos. Mas Jô atingiu um desempenho pouco visto em atacantes no futebol brasileiro. Uma vitalidade que não é vista em garotos. Inteligência e visão de jogo digno de futebol alemão. E matador quando tem oportunidade.
Kazim Nota 5,5 Não tem futebol para acompanhar o conjunto do time. Apagado, apenas esforçado.
Camacho Nota 6 Cumpriu carga horária.
Pedrinho Nota 6,5 Em poucos minutos esse garoto consegue atingir grau de protagonista. Isso só é possível quando se tem qualidade. Promissor.
Carille Nota 7,5 Tentou colocar Kazim para tentar dar moral ao gringo, tentando fazer com que ele aproveitasse o bom momento do time. Mas Kazim é fraco. De repente poderia ter colocado Pedrinho por ali e Clayson, pelo lado.
Mas é o responsável por fazer o time praticar o melhor futebol em atividade, no país. Os adversários vêm estudando o nosso time, mas não vêm conseguindo neutraliza-lo. Não vai ser fácil porque o Corinthians de Carille pratica um futebol extremante organizado, disciplinado e comprometido, de forma coletiva. Poucas equipes no Brasil conseguem se destacar em todos os setores do campo. Um paredão na meta, um sistema defensivo sólido, 2 criadores de jogadas apoiados por mais um volante que marca, mas sai para o jogo, um operário que está presente em todos os setores do campo, marcando, criando e apoiando e um atacante com a frieza e inteligência diferenciadas.
Carille é um oásis de competência no Parque São Jorge.
PUBLICO: 32.877 RENDA: 1.974.902,30
Fonte: blog do torcedor Silvio Junior, globo esporte.