Está completando uma semana desde a abertura da Copa quando a diretoria do Corinthians passou um recado ao seu torcedor para não se iludir em relação a temporada 2023.
Ao apostar novamente em um nome sem currículo para o cargo de treinador a diretoria corinthiana deixa claro que não preza por um planejamento, mas em arrumar bodes expiatórios que topem um trabalho sem reinvindicações ou exigências de qualificação ou manutenção de elenco.
Fernando Lázaro é um analista conceituado dentro do clube que assume uma bomba, junto com ele é anunciada a volta do preparador físico contestado nos tempos de Mancini e Sylvinho, um período em que os jogadores pouco se contundiam, mas também não aguentavam correr 90 minutos, o que dá sinais de que a ideia da diretoria é manter um grupo limitado de meio de tabela, que não corra grandes riscos, mas também sem possibilidades de competir com os favoritos.
A aposta é no cenário Carille 2017, quando treinador e elenco dão liga, cada um é escalado na sua, fecham um pacto e a coisa flui por um período, razão pela qual o menor dos problemas do time está na parte tática, afinal o VP era extremamente limitado nesse aspecto e até desagradava alguns atletas ao prejudicar suas virtudes querendo alterar suas características.
O problema é que a falta de um treinador profissional com moral para se impor interfere no nível da briga.
VP cometeu vários erros, não entendeu a dinâmica do futebol brasileiro, mexeu muito no time e demorou a encontrar uma formação competitiva, mas não fossem suas cobranças dificilmente a diretoria teria ido buscar o Fausto e o Yuri no meio da temporada, agora ao efetivar um funcionário do clube no cargo, os cartolas se livram das exigências e a ambição do clube por títulos consequentemente paga o preço.
VP sabia que não seria atendido para montar o time como quisesse e, como ficou claro nessa temporada, não é o tipo de treinador que sabe se adaptar ao elenco que tem, isso pesou em sua saída, mas provavelmente ninguém, nem ele mesmo, achou que fosse receber uma proposta de carta branca no próprio futebol brasileiro, razão pela qual saiu falando que o motivo era única e exclusivamente por questões familiares, imaginando que se acomodaria ali pela Europa ou cercanias em breve.
A partir do momento que o treinador colocou as coisas daquela forma, não dá pra considerar como um simples caso de 'mercenarismo' do futebol se de fato fechar em tão curto espaço de tempo com outra equipe do Brasil.
Estamos diante de uma falta de escrúpulos sem tamanho, ainda mais se for levado em conta que o Flamengo ainda tinha treinador e aqui vamos pegar o gancho para falar de diferentes faltas de escrúpulos também, a da diretoria do Flamengo e a dos cartolas do Corinthians. De quebra podemos analisar a diferença do momento de cobrança das torcidas, que também explica o momento distinto entre os clubes.
O Flamengo vem de temporadas com conquistas importantes e contrariando o manual dos 'especialistas' não hesita em trocar de técnico. Eles querem ganhar e jogar no padrão Jorge Jesus, então já tiraram Rogério Ceni após título Brasileiro e Dorival após Copa do Brasil e Libertadores.
Na última rodada do Brasileiro o Flamengo perdeu do Avaí no Maracanã e a torcida cobrou respeito com a camisa do clube mesmo com 2 títulos frescos na bagagem, enquanto isso o Corinthians perdeu para o Atlético MG na Neo Química Arena e foi aplaudido após mais uma atuação apática.
A diretoria do Flamengo não demonstra escrúpulos com seus profissionais e mesmo assim todo mundo quer ir pra lá, porque os excessos cometidos são no intuito de fazer um time forte, já no Corinthians a falta de escrúpulos não é com profissionais, ao contrário, passadas de pano para comandantes e renovações contratuais oferecidas a atletas não faltam, em compensação o ônus das ações estoura no clube.
Quando reforços de qualidade, mas com idade avançada chegaram no meio da temporada passada com Sylvinho, muito se dizia que o time era para o ano seguinte (que no caso é atual), mas ao não trocar o comando na virada de ano a diretoria comprometeu a instituição, desperdiçou a pré-temporada, gastou uma fortuna para finalmente buscar um técnico de fora, mas se sujeitou a um contrato curto em uma temporada com calendário apertado.
A diretoria transformou um ano chave no planejamento da atual gestão em uma queima de capital errática, agora retrocedeu ao estágio anterior, transformando o clube previamente em motivo de chacota e apostando tudo no acaso para que a próxima temporada não seja um caos completo.
O efeito Carille 2017 onde a diretoria não fez nada e tudo deu certo é algo muito forte na memória dos cartolas, eles saborearam tanto aquele golpe de sorte que ignoram o resultado das apostas em Osmar Loss, Coelho, Sylvinho, fora as tentativas com técnicos de terceiro escalão.
E é justamente com a sorte que o filho do Zé Maria terá de contar, uma rara conjuntura de fatores para que tudo dê certo do nada, pois mesmo que ele venha a se revelar um treinador extraordinariamente precoce e faça tudo certo, no seu entorno os responsáveis pelo clube fazem tudo errado.