Lucas Souza
Oi Anisio, concordo com a maioria que você colocou mano. Realmente os clubes pouco fizeram pra mudar esse cenário e quando tentaram fazer algo ou foram boicotados pela CBF (no caso do Bom Senso FC que foi uma tentativa de autonomia dos clubes) ou pela Rede Globo que é quem detém os direitos nas últimas décadas. Então de fato existe um discurso hipócrita muitas vezes. Mas acredito que a discussão sobre o contexto, para além dos discursos em si, precisa ser feita pra que entendamos melhor o porquê de estarmos tão distantes dos grandes centros de futebol no mundo. Desde o 7x1 acredito que evoluímos em alguns quesitos mas que em âmbito nacional ainda não é suficiente. E a evolução que aconteceu passa muito por uma herança deixada pelo Corinthians por exemplo. O time de 2015 ganhava e encantava e é inspiração pra times como o do Grêmio hoje. Infelizmente essa discussão vai ser feita por muito tempo ainda, mas é necessário que seja feita pra que que nós como torcedores tenhamos consciência de que não adianta cobrar só técnico, mas entender o contexto e compreender que quem precisa ser cobrado de fato por esse calendário são os dirigentes dos clubes. Isso não exclui a discussão sobre a falta de postura ofensiva dos técnicos. Mas ai a gente precisa dividir mais uma vez o contexto e especificidade dos clubes. O Palmeiras e o Flamengo por exemplo são clubes que hoje não tem desculpa de jogar só de forma reativa. Mesmo inseridos nesse calendário absurdo eles têm pelo menos dois elencos competitivos, em que é possível fazer uma rotatividade sem perder qualidade técnica. São clubes que tem condições pra fazer mais só que não saem do mesmo pela mentalidade de cada técnico. O Carille eu acho que é diferente. Em 2017 o time não jogava como o de 2015 por exemplo mas criava mais chances, triangulava mais e trocava mais passes. Fomos o clube que mais trocou passes no Brasileiro de 2017 e o terceiro maior ataque (com diferença só de 10 gols para o primeiro). Meu ponto é que não conseguimos ainda repetir um padrão de regularidade técnica porque estamos num contexto extremamente limitado e sem possibilidade de treinos. São 23 jogadores novos, um monte chegando durante o campeonato. E só 2 semanas de pré-temporada. Se queremos de fato um time melhor precisamos entender que no cenário brasileiro isso não é possível estando vivo em todos os campeonatos. Mas quem não quer ser campeão? Quem quer ser eliminado? É preciso entender onde estamos inseridos pra compreender que infelizmente não é possível conciliar competição em todos os campeonatos com bom futebol. Nosso contexto medíocre não permite. Isso vai mudar um dia? Não sei. Mas enquanto temos saliva é preciso falar sobre isso. Abraços!
em Bate-Papo da Torcida > Entrevista do Carille na ESPN
Em citação ao post:
O Futebol de verdade acabou, por que não tem mais pé de obras e inteligência no comando desses
Mano e Tite faziam autocríticas em entrevistas e continuavam a jogar da mesma maneira.
O futebol brasileiro hoje, é horrível. Generalizo. Uma pena que o futebol do Corinthians, está extrapolando o direito do bom senso.
Os técnicos aqui no Brasil se amoldaram a um estilo em que todos, com rara exceção, fazem seus times jogarem muito igual. Gostem ou não (no meu caso é não), tem dado resultados, tem mantido empregos que é o que mais importa aos pofexores, e até as reclamações são iguais. Todos em uníssono, reclamam dos mesmos assuntos, não vale a pena escrevê-los, pois, todos sabem quais são; calendário, não treina, o clube não tem bala pra contratar (mas, contrata um monte de pés de ratos, as vezes em valores estapafúrdios em relação a qualidade do sujeito), e por ai vai.
Ouço isso desde o século passado, quando ainda havia futebol de verdade, inclusive. Não é nada novo. É a decadência que chegou para ficar e ninguém antes ao panorama, moveu uma palha sequer para não deixar ao ponto que chegou. Culpa? De todos. Torcedores, mídias esportivas, dirigentes corruptos de clubes, federações e a corrupção, o orgão maior do futebol que há mais de 40 anos é um covil de bandidos, e todos esses satélites, orbitando num universo particular de uma grande rede brasileira de Televisão, que manda, prende, julga, sentencia e executa.
Não podia dar outra coisa.