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Post de anisio no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão

O Futebol de verdade acabou, por que não tem mais pé de obras e inteligência no comando desses

Mano e Tite faziam autocríticas em entrevistas e continuavam a jogar da mesma maneira.

O futebol brasileiro hoje, é horrível. Generalizo. Uma pena que o futebol do Corinthians, está extrapolando o direito do bom senso.

Os técnicos aqui no Brasil se amoldaram a um estilo em que todos, com rara exceção, fazem seus times jogarem muito igual. Gostem ou não (no meu caso é não), tem dado resultados, tem mantido empregos que é o que mais importa aos pofexores, e até as reclamações são iguais. Todos em uníssono, reclamam dos mesmos assuntos, não vale a pena escrevê-los, pois, todos sabem quais são; calendário, não treina, o clube não tem bala pra contratar (mas, contrata um monte de pés de ratos, as vezes em valores estapafúrdios em relação a qualidade do sujeito), e por ai vai.

Ouço isso desde o século passado, quando ainda havia futebol de verdade, inclusive. Não é nada novo. É a decadência que chegou para ficar e ninguém antes ao panorama, moveu uma palha sequer para não deixar ao ponto que chegou. Culpa? De todos. Torcedores, mídias esportivas, dirigentes corruptos de clubes, federações e a corrupção, o orgão maior do futebol que há mais de 40 anos é um covil de bandidos, e todos esses satélites, orbitando num universo particular de uma grande rede brasileira de Televisão, que manda, prende, julga, sentencia e executa.

Não podia dar outra coisa.

em Bate-Papo da Torcida > Entrevista do Carille na ESPN

Em resposta ao tópico:

Entre vários assuntos abordados por Carille na entrevista ao vivo à ESPN, destaco três: crítica do treinador ao desempenho da equipe no ano, calendário absurdo e possibilidade de testar o elenco em diversas posições.

Acredito que em termos de entrevista poucos treinadores no Brasil são tão claros como Carille, e tão autocríticos. Na entrevista de hoje não foi diferente. Trouxe um contraponto coerente a alguns temas reducionistas trazidos pela imprensa no geral, como a discussão da moda entre jogar bonito x jogar feio.

Acredito que exista no debate esportivo nacional uma superficialidade na forma como lidam com essa discussão. O reducionismo está em separar fulano e ciclano entre duas categorias que não contemplam as especificidades do futebol praticado no país. Carille trouxe um exemplo categórico em relação ao calendário: pegando o total de jogos feitos pelo Boselli na vida, dá uma média de 36 jogos por ano. O Corinthians em 4 meses já chegou em seu 30 jogo. Será mesmo que esse debate sobre o calendário não importa? Será mesmo que é possível discutir um futebol melhor praticado no país em um contexto de times que tem 2 semanas de pré-temporada? Acredito que não.

Isso posto, me incomodo muito quando vejo parte da torcida reverberando esse debate superficial na imprensa. Como se os jogos, agora falando especificamente do Corinthians, se reduzissem apenas a postura dos times. Quando fomos engolidos pelo Santos, não foi por uma postura covarde, foi por imposição tática e física. Total mérito do adversário. Da mesma forma que foi mérito nosso ter anulado eles no primeiro jogo. No primeiro jogo a única bola do Santos que acertou o gol do Corinthians foi a bola que o Cássio jogou na cabeça do Gonzáles. Fora isso não fizeram mais nada. Se limitaram a defender, e quando tinham a posse de bola não conseguiam infiltrar nas linhas de defesa do Corinthians. Mérito de cada time nos respectivos jogos que se impuseram sobre o adversário. Mérito, não postura.

De uma vez por todas precisamos entender que não é possível jogar um futebol de alto nível no país jogando todas as competições. O único time que não tem desculpas em jogar mal e não ter uma postura ofensiva é a porcada, que tem 3 elencos competitivos e teve tempo pra treinar no ano. O resto, principalmente o Corinthians, não tem condições de uma regularidade técnica porque simplesmente nosso calendário não permite que isso aconteça. O nosso calendário é particularmente absurdo com os times que não estão na Libertadores, como é o nosso caso. Em fevereiro, 'primeiro' mês de jogos oficiais, tivemos decisões á em três campeonatos. Com um elenco de 23 jogadores novos, muitos chegando durante as competições, sem qualquer possibilidade de ter um padrão tático porque não existiu tempo pra treinar. Dos times que iniciaram na Copa do Brasil somos o único no ano que está vivo em todas as competições e que chegou na final de um campeonato sendo campeão. Nenhum outro que esteve nesse contexto de calendário chegou em final. A maioria já tem uma eliminação na bagagem.

Portanto é preciso reconhecer que estar vivo em todas as competições, com um calendário como o nosso, e na especificidade que destaquei, cobra o ônus de uma maior lentidão na formação de um time com regularidade. Em 2017 fomos campeões brasileiros, entre outras coisas, por ter sido eliminado em duas competições antes de fases definitivas. Não tínhamos elenco pra aguentar Brasileiro, Copa do Brasil e Sulamericana. E também conseguimos chegar num padrão técnico mais rápido porque tivemos 1 mês de pré-temporada nesse ano tivemos 2 semanas...). Hoje temos elenco pra pelo menos jogar duas competições em paralelo, mas sem ter tempo pra treinar isso cobra o preço da regularidade. Se não tivéssemos ido pra final, teríamos 2 semanas de treino. Provavelmente estaríamos melhor hoje, mas quem não quer ser campeão? E abro um parênteses pra falar sobre os times que a imprensa tem colocado como os de futebol vistoso. O Santos já foi eliminado em uma competição e sofreu duas goleadas inaceitáveis pra um clube grande. O Fluminense não foi longe no Campeonato Carioca e perdeu clássicos importantes. O Grêmio tá indo pra última rodada da Libertadores jogando a vida (mas mesmo assim tá no grupo de times da Libertadores que tiveram mais tempo pra treinar, além de vir de uma continuidade rara de trabalho no Brasil, com o mesmo técnico em quase 3 anos). O fato é que se tivéssemos um melhor calendário esses times que jogam sim um futebol bonito de ver, também poderiam ter sido mais regulares.

Trago todo esse contexto pra dizer o quanto fico inconformado com as críticas excessivas que fazem ao trabalho do Carille. Como se o verdadeiro problema fosse esse. Como se ele não fosse autocrítico e realista com tudo que vem acontecendo (como demonstrou mais uma vez na entrevista de hoje). E como se esse contexto absurdo que rege o futebol brasileiro não existisse. Ao escolhermos o debate superficial que se limita em 'tá dando ruim troca o técnico', deixamos de cobrar o que realmente importa: que os dirigentes dos clubes se articulem na defesa de um calendário que permita aos times condições justas de trabalho. Carille tem sido a única voz que tem levantado essa discussão com a seriedade que precisa ser levantada. Se calarmos essa discussão como se não fosse necessária, só contribuímos com a falta de evolução no futebol. Ai realidades como a do jogaço de ontem em Liverpool vão nos ser distantes mesmo. Como torcedores, precisamos fomentar esse debate e contrapor a fragilidade da análise da imprensa.

Vai Corinthians!

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Réplicas desse post

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Lucas 275 posts

@lucas.goncalves456 em 09/05/2019 às 15:53

Oi Anisio, concordo com a maioria que você colocou mano. Realmente os clubes pouco fizeram pra mudar esse cenário e quando tentaram fazer algo ou foram boicotados pela CBF (no caso do Bom Senso FC que foi uma tentativa de autonomia dos clubes) ou pela Rede Globo que é quem detém os direitos nas últimas décadas. Então de fato existe um discurso hipócrita muitas vezes. Mas acredito que a discussão sobre o contexto, para além dos discursos em si, precisa ser feita pra que entendamos melhor o porquê de estarmos tão distantes dos grandes centros de futebol no mundo. Desde o 7x1 acredito que evoluímos em alguns quesitos mas que em âmbito nacional ainda não é suficiente. E a evolução que aconteceu passa muito por uma herança deixada pelo Corinthians por exemplo. O time de 2015 ganhava e encantava e é inspiração pra times como o do Grêmio hoje. Infelizmente essa discussão vai ser feita por muito tempo ainda, mas é necessário que seja feita pra que que nós como torcedores tenhamos consciência de que não adianta cobrar só técnico, mas entender o contexto e compreender que quem precisa ser cobrado de fato por esse calendário são os dirigentes dos clubes. Isso não exclui a discussão sobre a falta de postura ofensiva dos técnicos. Mas ai a gente precisa dividir mais uma vez o contexto e especificidade dos clubes. O Palmeiras e o Flamengo por exemplo são clubes que hoje não tem desculpa de jogar só de forma reativa. Mesmo inseridos nesse calendário absurdo eles têm pelo menos dois elencos competitivos, em que é possível fazer uma rotatividade sem perder qualidade técnica. São clubes que tem condições pra fazer mais só que não saem do mesmo pela mentalidade de cada técnico. O Carille eu acho que é diferente. Em 2017 o time não jogava como o de 2015 por exemplo mas criava mais chances, triangulava mais e trocava mais passes. Fomos o clube que mais trocou passes no Brasileiro de 2017 e o terceiro maior ataque (com diferença só de 10 gols para o primeiro). Meu ponto é que não conseguimos ainda repetir um padrão de regularidade técnica porque estamos num contexto extremamente limitado e sem possibilidade de treinos. São 23 jogadores novos, um monte chegando durante o campeonato. E só 2 semanas de pré-temporada. Se queremos de fato um time melhor precisamos entender que no cenário brasileiro isso não é possível estando vivo em todos os campeonatos. Mas quem não quer ser campeão? Quem quer ser eliminado? É preciso entender onde estamos inseridos pra compreender que infelizmente não é possível conciliar competição em todos os campeonatos com bom futebol. Nosso contexto medíocre não permite. Isso vai mudar um dia? Não sei. Mas enquanto temos saliva é preciso falar sobre isso. Abraços!

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Fubá 2.787 posts

@didimoco em 09/05/2019 às 10:02

Análise precisa, acho que fechou com maestria a ideia do tópico.

Aliás, tudo nesse país funciona assim, não só o futebol... As pessoas analisam, fazem alertas e todo mundo espera chegar no fundo da merda toda pra depois ver como vai sair, em vez de fazer ajustes pontuais quando não é tão difícil.

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Deco 35.453 posts

@deco20 em 09/05/2019 às 08:38

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