Maria Nascimento
Parece que a saída do Carille abalou o time que, subitamente precisa se adaptar a um novo técnico, sem que para isso tenha o tempo necessário para treinar. Além disso, os desfalques, por convocação e por contusões, também interferem negativamente, acarretando desentrosamento e insegurança, situação que se torna ainda mais complicada pela mudança do esquema tático. O time está reaprendendo a jogar com um centroavante e com um jogador que não tem as mesmas características e movimentação do Jô. Nesse aspecto, o gol do Roger foi importante para dar confiança ao jogador e à própria equipe.
Não dá para creditar exclusivamente ao técnico, essa má fase do Corinthians. Ela é resultado de um conjunto de fatores: desfalques de jogadores, elenco limitado e insuficiência de peças qualificadas para reposição dos ausentes, calendário apertado e falta de tempo para treinos, comissão técnica desfalcada e em reformulação. Obviamente, todos esses fatores contribuem para a insegurança do conjunto e interferem negativamente no desempenho e no resultado. É uma situação semelhante a ter que trocar o pneu ou ajustar o motor com o carro em movimento.
Apesar das dificuldades e dos resultados adversos, considero que o trabalho do técnico só poderá ser devidamente avaliado após a parada da Copa do Mundo e da inter temporada. Somente após ter o tempo para se recompor e poder treinar o time sem os desfalques atuais, haverá condições de cobrar a nova comissão técnica.
Isso não significa satisfação com o momento presente nem que o time não deva se esforçar, dando o máximo possível em campo, mas sim que temos que manter a serenidade. O time do Corinthians, no presente, não precisa nem merece maior pressão do que a que já vem sofrendo pelas suas próprias condições de trabalho. Até porque os maiores responsáveis pela situação não atuam nos gramados. São as diretorias das últimas gestões que, por incompetência e omissão, permitiram desmanches sucessivos nos seus diversos setores e colocaram o time numa situação financeira que o torna refém dos empresários e sem condições de manter e adquirir bons jogadores. No momento, a pressão deve ser sobre a diretoria, para evitar o desmanche do elenco e prover a reposição de profissionais com o mesmo nível dos que perdemos ou viemos a perder na janela de transferências.