Matheus Marcolino
Foi um dos melhores dias da minha vida.
Eu lembro que estava eu meu pai, na frente da televisão, e como ele ia antigamente ao Pacaembu, ele sabia os cantos antigos.
A gente estava conversando sobre a campanha do Corinthians e sobre o jogo contra o Santos, quando saiu a falta que originou o 1º gol.
A gente falando do quanto foi difícil e do quanto a gente estava feliz por estar numa final de liberta, e que tudo ia dar certo.
Alex bate a falta, Jorge Henrique escora de cabeça, bate-rebate na área, a gente já estava mandando o time voltar pra não tomar o contra-ataque, quando o Danilo me mete um passe de calcanhar.
UM PASSE DE CALCANHAR PQP!
Emerson dominou no peito, a gente já começou a pular, a comemorar.
Era o início da libertação.
Meu pai e eu continuamos cantando e gritando, provocando os vizinhos do prédio(porque quem mora em prédio sabe como é, os antis ficam gritando, zuando e tals), a gente estava numa felicidade pura, chamamos minha mãe e minha irmã.
Minha mãe perguntou o que a gente queria para comer, e sai uma falta para o Boca.
Cássio encaixa, e sentamos, começamos a decidir o que comer, por que a bola está com a defesa do Boca, mais precisamente com o zagueiro Schiavi, e eles começam a tocar a bola despretenciosamente.
Aí, após minha mãe ir no armário pra pegar um salgadinho, eu desvio meu olhar da televisão e ouço Cléber Machado narrando os passes curtos do Boca.
Olho novamente para a televisão e vejo Schiavi errar um passe, e Emerson armar um pique.
Olho para meu pai, e ele me olha de volta, com uma felicidade única em seus olhos, uma felicidade que provavelmente eu nunca verei igual.
Nos levantamos e vemos o Sheik deixar Caruzzo pra trás, e tocar na saída de Sebastian Sosa, pra explodir 37.959 loucos presentes no estádio, eu e meu pai, e mais 30 milhões de corinthianos pelo mundo.
Depois da euforia, gritaria, comemoração, me sento novamente e cai a ficha.
O Corinthians vai ser o campeão da Libertadores!
Chorei. Chorei muito, mas aquele choro que as pessoas te olham, e sabem que é um choro de felicidade. Nunca antes tinha visto meu pai chorar. Mas foi o choro mais gostoso possível, um choro misturado com riso.
Os acréscimos foram os minutos mais longos da minha vida.Acho que de da vida de todos os loucos.
Quando o juiz apitou, só sobrou a felicidade. A gritaria, a euforia, a felicidade nunca antes vista.
Liguei para meu avô, na época com 73 anos.
Ouvi a voz dele ao telefone. Ele estava chorando, rindo ao mesmo tempo, me contando que em todos estes anos de Corinthians, essa era a melhor sensação da vida dele.
Depois daquele 4 de julho, nossa vida nunca será igual.
Gente, desculpa pelo texto, mas se você leu ele, muito obrigado, espero me tornar jornalista hehe.
E vocês? Como foi o seu 4/7/2012?
