Marcos Faneco
Ainda é um pouco cedo para comemorar sucesso absoluto, realmente houve uma melhora na maneira de jogar e também atitude dos jogadores; mas, vamos consolidar nos grandes clássicos especialmente contra os porco, os bambi e contra os urubu.
em Bate-Papo da Torcida > Já dá para ver o Dinizismo? Os primeiros efeitos no Corinthians de...
Em resposta ao tópico:
Muito do início do trabalho de Fernando Diniz no Corinthians passa a ser associado à recuperação de Rodrigo Garro. Em 2025, o meia viveu um período de queda de rendimento e perda de protagonismo, mas a mudança de comando técnico fez seu nome voltar a ganhar status no time.
Depois de tudo, acidente, joelho, camisa 10, é natural que esse tipo de revalorização tenha impacto psicológico imediato. Mas a questão é apenas o aspecto anímico ou estamos vendo uma mudança de ordem tática dentro do chamado “dinizismo”?
organizar o jogo para aumentar o número de decisões do jogador talentoso dentro da construção coletiva
A mudança não está na função de Rodrigo Garro, mas especialmente no posicionamento de Breno Bidon.
Já bastante discutido, com Dorival, Garro e Bidon ocupavam zonas muito próximas no meio-campo, principalmente na construção intermediária. Isso gerava sobreposição de funções e pouca definição de quem seria o responsável por acelerar o jogo no último terço.
Com Diniz, Bidon recua e libera o jogo
Garro (direita) vs Bidon (esquerda) - Mapa de calor Paulista A1 2026
Garro (direita) vs Bidon (esquerda) - Mapa de calor Libertadores 2026
Efeito no jogo
Agora o jogo passa mais pelo Garro. Ele aumentou em 39% a média de passes tentados por jogo. Esse crescimento inclusive não é concentrado no ataque e sim em toda a estrutura do jogo, são: 18% a mais no campo ofensivo e 110% a mais no campo defensivo.
Quem assiste os jogos sabe que o Garro arrisca sempre, as vezes até demais e o efeito que essa escolha do técnico gera é claro: o número de passes decisivos do camisa 8 salta de 1,6 para 3,8 por jogo, um aumento de 138%. Isso se traduz diretamente em criação: o xA (expectativa de assistência) sobe de 0.14 para 0.30, e o jogador passa a registrar quatro assistências nos últimos cinco jogos, contra zero no recorte anterior.
Efeito no jogo do Bidon
O jovem muda a natureza da sua participação e perde protagonismo ofensivo. Seus passes decisivos caem 50%, mas esse dado precisa de contexto: mesmo antes, o camisa 7 não era um jogador de alto volume criativo nessa métrica. Ou seja, o antigo modelo não potencializava seu perfil ofensivo, ao mesmo tempo em que limitava a criatividade de Rodrigo Garro.
Sabemos que o Bidon é craque e que precisa participar do jogo e a boa notícia é que a participação geral dele permanece estável com média de 25 passes/jogo. O que muda é a natureza dessa participação. Ele passa a se envolver menos no terço ofensivo (-12%) e mais no campo defensivo (+29%), reforçando uma função mais ligada à base da construção.
A nota Sofascore é uma pontuação de 0 a 10 calculada por algoritmo que resume o desempenho do jogador com base em ações ofensivas, defensivas, erros e, principalmente, impacto direto em lances decisivos como gols, assistências e chances criadas.
Nesse contexto, ela reforça a leitura: Breno Bidon mantém estabilidade de desempenho médio entre os dois períodos, enquanto Rodrigo Garro apresenta evolução clara de patamar. Isso indica que a mudança de treinador altera menos o nível individual de execução e mais a função de cada jogador dentro da equipe.
Conclusão
No fim, a leitura que sempre defendi de um “um ou outro” ganha mais força com esses dados. Mas, o Diniz tem seu valor e aqui não entrega a escolha e sim uma reorganização para que eles coexistam através de funções mais definidas.
Resta saber se essa é a melhor solução no médio e longo prazo: apostar em um meia mais experiente, com impacto imediato e problemas físicos ou em um jovem com maior potencial de valorização e possível saída futura.
O que isso representará, só o tempo dirá. Até aqui, os resultados sugerem que o caminho escolhido pelo Fernando Diniz funciona, amém e vai Corinthians!
E você, acha que faz sentido o camisa 8 ser o centro estrutural do time?
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Santos 1 a 1 Corinthians (15 de mar), Chapecoense 0 a 0 Corinthians (20 de mar), Corinthians 1 a 1 Flamengo (23 de mar), Fluminense 3 a 1 Corinthians (2 de abr), Corinthians 0 a 1 Internacional (6 de abr), Platense 0 a 2 Corinthians (10 de abr), Corinthians 0 a 0 Palmeiras (12 de abr), Corinthians 2 a 0 Santa Fe (16 de abr), Vitória 0 a 0 Corinthians (19 de abr), Corinthians 1 a 0 Vasco (26 de abr).
- Com Dorival: 307 minutos cada.
- Com Diniz: 401 min (Garro) vs 400 min (Bidon)
