Danilo Oliveira
A vitória por 2x0 sobre o Flamengo na Supercopa do Brasil foi, antes de tudo, um alívio e uma afirmação. Mais do que levantar o primeiro troféu do ano, o Corinthians mostrou que, quando focado e com sua identidade em campo, pode superar qualquer prognóstico que apontava a derrota como certa. Mas será que o resultado foi realmente uma surpresa? A análise dos momentos vividos por ambos os times – e, principalmente, da mística corinthiana de 'escolher' os jogos grandes, como já visto na Copa do Brasil –, diz que não. A mulambada vem de péssimos resultados e de um time que não consegue se encontrar nesse início de temporada, o que não diminui em nada a nossa vitória.
Ao longo do Paulistão, ficou clara uma estratégia de rotação do elenco, tratando a competição quase como uma pré-temporada extensa. Na estreia do Brasileirão, os olhos estavam voltados para a final de domingo. Ainda assim, o time não fez um jogo ruim – apenas caiu na velha armadilha de não definir a partida quando tem a chance. Fez 1x0, mas não construiu o segundo gol. Várias chances foram perdidas e, no fim, tomamos dois gols bobos.
Esse, no fundo, é um fantasma familiar. Basta voltar ao segundo turno do Brasileirão de 2025, também contra o Flamengo na Neo Química Arena. Naquele dia, com times mais próximos do ideal (embora sem o Memphis), o Corinthians dominou, criou chances claríssimas, viu Yuri Alberto desperdiçar gols e um pênalti, e, ao não matar o jogo, viu a energia cair. O empate veio e, depois, num lance invertido de lateral, nos roubaram e tomamos o gol da virada. Mediante a isso, não seria uma surpresa que, com o time mais completo e focado, ontem não fizéssemos um bom jogo e saíssemos com a vitória – bastava ser cirúrgico.
Ontem, o roteiro poderia ter se repetido. Mesmo com um jogador a mais no segundo tempo, o Corinthians deu algum espaço ao Flamengo – que, em sua única chance clara, viu Paquetá enviar a bola para o espaço (acertou um satélite americano e trump ameaça invadir o Brasil, kkkk). Mas antes do segundo gol de Yuri Alberto, que selou o título, houve chances desperdiçadas por Memphis e uma bola na trave do próprio camisa 9. Fora o lance do gol mal anulado. Ou seja, a lição se repete: a equipe precisa desenvolver a frieza e a eficiência para resolver as partidas logo, sem deixar a porta aberta para reviravoltas.
A Supercopa, portanto, é mais do que um título – não pela conquista em si, mas pela sequência. É a confirmação de um time que brilha nos grandes momentos, mas também é um lembrete urgente de uma lição em curso: no futebol moderno, domínio sem definição é risco. Se o Corinthians quiser transformar essa temporada em algo realmente especial, precisará aprender a matar o jogo quando ele está em suas mãos – e não apenas nos clássicos, mas em todos os 90 minutos da jornada.
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