Danilo Oliveira
A distribuição tática do Corinthians no campo, especialmente no meio, foi claramente comprometida e interferiu no rendimento da equipe. Com Rodrigo Garro isolado mais a frente, Martinez aberto pela esquerda e Bidon aberto pela direita, Raniele ficava sozinho no centro, sobrecarregado como praticamente a única opção para a saída de bola. Essa estrutura desequilibrada não funcionou, a bola não saia, seja pelo meio ou pelas laterais, e principalmente não chegava nos caras que decidem.
O problema é duplo: enquanto esses jogadores de função também defensiva não conseguem fechar os espaços centrais, e ajudar na construção do jogo, o Vasco encontrava liberdade total para explorar essa região do campo e pressionar a saída de bola do SCCP. Com domínio no coração do jogo, o time cruzmaltino ganhava também a capacidade de ampliar o jogo, projetando seus laterais com perigo, coisa que nem Bidu nem Matheuzinho conseguiram fazer.
Esse descontrole tático parece ter gerado um efeito cascata na equipe, que atuou com nervosismo evidente durante todo o confronto. O time errou passes simples e pareceu não absorver a pressão inerente a uma final. Boa parte do elenco demonstrou estar preocupada por estar 'pendurada' em cartões, o que resultou em chegadas mais contidas nas divididas, com menos força e intensidade — um contraste perigoso com a fome de luta que uma decisão exige.
No entanto, é crucial lembrar que o Vasco também não é um primor defensivo. Este é justamente o ponto de esperança para a virada. Nada está perdido.
O segundo jogo tem tudo para ser diferente. Basta ao Corinthians corrigir a organização no meio-campo, estabelecer um mínimo de controle da bola e entrar em campo com a mentalidade aguerrida que a torcida exige. Se encontrar equilíbrio tático e atitude, as chances de uma vitória convincente no Maracanã são reais. A final está longe de estar decidida.
em Bate-Papo da Torcida > Meio a Descoberto e Nervos à Flor da Pele: Os Problemas do...