Matheus Kaibitsch
A temporada atual escancarou um problema que o torcedor já sente há muito tempo: o Corinthians tem hoje um dos ataques menos efetivos e menos competitivos dos últimos anos, e isso não é apenas questão de fase. É questão de elenco, modelo de jogo e decisões equivocadas de investimento.
E minha opinião não surge do nada. Ela vem do simples fato de que o Corinthians pode não se classificar para a Libertadores do ano que vem.
Sem competição internacional, o clube não tem obrigação — nem justificativa — para manter um elenco tão caro e tão pouco eficiente apenas para disputar Campeonato Brasileiro e competições domésticas. Manter essa folha salarial é, no mínimo, irracional.
1. O setor ofensivo perdeu identidade — e o elenco não ajuda
Do meio para frente, o time não funciona. Ponto.
Yuri Alberto continua vivendo altos e baixos que frustram qualquer tentativa de estabilidade ofensiva. Como já começa a ser especulado na Roma, uma venda agora pode ser um alívio financeiro e uma oportunidade de reconstrução.
Memphis Depay, por sua vez, tem técnica, experiência e impacto. Mas não entregou o suficiente para justificar ganhar 4mi. Renovar seu contrato seria insistir em um erro caro. Eu não faria isso a menos que ele aceitasse uma drástica diminuição de salário.
Rodrigo Garro, que deveria ser o articulador, vive uma das piores fases com a camisa do Timão . Apesar disso, ainda tem bom valor de mercado e pode render uma venda significativa.
2. A base mostra mais brilho do que o profissional
Se o time principal decepciona, as joias da base são um sopro de esperança.
Dieguinho, André e Gui Negão chegam fortes, com personalidade e capacidade real de ajudar o time já em 2025. São jogadores de custo baixo e impacto potencial.
Breno Bidon, outro talento da casa, já aparece no radar do Atlético de Madrid. Uma venda forte, somada às de Yuri, Garro e ao fim do contrato de Depay, pode facilmente gerar R$ 200 a 300 milhões, além de liberar um peso enorme na folha salarial.
E novamente: se o Corinthians não estará na Libertadores, não faz sentido manter um elenco milionário para disputar só Brasileirão e Copa do Brasil.
3. É hora de mudar o modelo de jogo — gastando menos e gastando melhor
A reconstrução não passa apenas por vender. Passa por reformular a ideia de jogo.
O retorno de Pedro Raul seria um movimento inteligente: atacante forte, de pivô, com presença diária na área e capaz de dar verticalidade ao time. Um estilo que vale a pena uma nova tentativa, não deu certo com os jogadores atuais mas quem sabe com os jogadores de ponta desafogando meio da área possa dar certo. Vem brilhando no Ceará ao meu ver vale uma nova tentativa se não der certo o Ceará já está aberto a um novo empréstimo mesmo, não custa arriscar.
O clube também precisa urgentemente de pontas que entreguem profundidade, velocidade e duelo individual — algo inexistente hoje. E isso não significa gastar fortunas; significa garimpar com inteligência:
• Galeano (Ceará) – Um bom meia barato e raçudo.
• Derek Lacerda (Sport) – Rápido, forte, ótimo na transição.
• Rolleiser (Santos) – Bom repertório e mobilidade. Pode render o que rendia no Estudiantes com um elenco que favoreça.
• Ramírez (LDU) – Intenso, versátil e acessível.
Ainda há possibilidade de garimpar bons jogadores baratos na Série B
Jogadores desse perfil transformam o elenco gastando menos e oferecendo mais opções táticas.
Além dos nomes citados, existem jogadores cuja saída já é praticamente certa e que também aliviam a folha:
• Romero – ciclo encerrado, saída esperada.
• Félix Torres – tem mercado e propostas.
• Talles Magno – não rendeu o esperado e deve deixar o clube.
E ainda há o caso de Martínez, que após quebrar a mão vem demonstrando atitudes desequilibradas, comportamento estranho e aparente falta de vontade de seguir no Corinthians. Pelas confusões em campo e episódios de violência, sua permanência parece insustentável — e sua saída também favorece a reconstrução.
4. Conclusão: se não tem Libertadores, é agora a hora de reconstruir
Sem competição continental, não existe desculpa para manter uma folha salarial inflada com jogadores que não entregam desempenho.
A não-classificação para a Libertadores abre, na verdade, a oportunidade perfeita para o Corinthians se reinventar: vender peças caras, promover a base, buscar atletas emergentes e montar um elenco mais competitivo, mais jovem e mais coerente com sua realidade financeira.
Reconstruir dói.
Mas insistir nesse elenco dói muito mais — e custa ainda mais caro.
Com tudo isso o Corinthians consegue fazer dinheiro, aliviar a folha, quitar transferban, mudar estilo de jogo e ainda dar uma reorganizada nas finanças.
em Bate-Papo da Torcida > O Corinthians precisa de uma reconstrução ofensiva urgente

