Nelio Filho
Mais uma derrota na NQA e de virada. Não tem nada de mística nosso time não impõe respeito nem jogando com a casa lotada e jogando pelo empate. Infelizmente é nossa realidade, precisamos resgatar a verdadeira mística que é vencer qualquer time quando estamos com casa cheia.
em Bate-Papo da Torcida > Mística Corinthiana
Em resposta ao tópico:
O Corinthians é místico, desde seu nascimento sob a luz do cometa Harley que iluminava os céus da capital paulista, debaixo de um lampião em um bairro operário.Nasce pobre mas guerreiro como o povo brasileiro disposto a lutar até o final para conquistar seu objetivo, mesmo que para isso tenhamos que sujar nossa camisa com sangue.
Essa mística se manifesta sobretudo em quem defende a meta corinthiana, tarefa nem sempre fácil mas que eleva a quem faz com sucesso ao patamar de ídolo, foi assim com Tobias em 1976 no jogo da 'Invasão Corinthiana' onde 70 mil torcedores tomaram as arquibancadas do Maracanã e assistiram debaixo de um dilúvio o goleiro defender dois pênaltis contra o tricolor carioca.Foi assim com Dida, que em 1999 pegou dois pênaltis de Raí, um deles aos 47 minutos do segundo tempo, na semifinal do campeonato brasileiro onde se sagraria campeão pelo Corinthians.Foi assim com Cássio, que em 2012 se tornou gigante nos segundos onde o tempo parou para quem estava no Pacaembu vendo a arrancada de Diego Souza em direção a meta corinthiana.
E hoje numa noite de terça, pela copa sul-americana a história é escrita novamente.
O Corinthians tinha ao seu favor o placar de 2 a 1 do jogo de ida e a força da Fiel torcida ao seu lado, não demorou muito para que o domínio alvinegro se esboçasse, criando grandes chances a partir dos pés de Rodrigo Garro, craque argentino que abriria o placar num chute desviado na defesa do time de Bragança, 1 a 0 Corinthians. A fiel sempre em festa se enche de alegria e esperança com um primeiro tempo perfeito, que não acabou com um placar maior por falta de pontaria do ataque alvinegro e pelas intervenções do goleiro adversário.
O segundo tempo vem e com ele o time de Bragança modificado pelo técnico Pedro Caixinha se tornou superior, levando perigo com ataques velozes pelos lados do campo, o técnico corinthiano demorou a reagir e mexeu equivocadamente dando campo ao time do interior, em uma bola cruzada e mal afastada pela defesa alvinegra, Sasha empata o jogo. A tensão crescia nas arquibancadas pulsantes da Neo Química Arena, a torcida cantava mais alto após ver o Corinthians sofrer o gol, só não mais alto que Luan Cândido que subiu de cabeça após cobrança de escanteio e virou o jogo para o Bragantino, aos 76 minutos da segunda etapA.
A este ponto da partida, era visível nos rostos dos torcedores corinthianos a preocupação e o nervosismo, o medo de uma possível eliminação após uma partida tão boa causava aperto no coração e com este aperto vieram os temiveis pênaltis
Numa semana onde o Brasil se despede de seu maior comunicador, Silvio Santos, que imortalizou a marchinha 'Doutor eu não me engano, meu coração é corinthiano” não poderia ser diferente, teria que ser no sofrimento das penalidades máximas, Garro abriu a série de cobranças pelo Corinthians com um belo gol, era a chama da esperança brilhando forte nos olhos de quem assistia.Sasha converteu a primeira cobrança pelo time de Bragança com Hugo Souza quase defendendo. Aí a tragédia se desenhou, André Ramalho, zagueiro e capitão do time que vinha fazendo excelente partida perdeu a segunda cobrança do Timão, a chama de esperança sofreu com o vento gelado e forte da desilusão. As penalidades prosseguiram com os cobradores acertando sem chances para os goleiros até a última e derradeira para o time interiorano.
Quando as esperanças pareciam perdidas, ele se fez presente.
Hugo Souza, o menino carioca que teve ascensão apoteótica no Flamengo, que como muitos outros da periferia da da cidade maravilhosa, teve problemas na infância e viu seus problemas atrapalharem sua carreira, teve sua noite mística.
Ele defendeu a cobrança de Gustavo Neves, jogando gasolina na esperança da fiel e levando a decisão para as cobranças alternadas, Ryan, outro jovem da base Corinthiana desperdiçou a penalidade, mais um duro golpe na torcida mas que confiou em seu herói e ecoou efusivamente seu nome “Hugo!, Hugo!, Hugo’” as arquibancadas estremeciam clamando por ele e foram atendidas, o goleiro defendeu a cobrança Douglas Mendes e enlouqueceu a torcida, o zagueiro Gustavo Henrique não desperdiçou a nova chance alvinegra, a torcida cantava a plenos pulmões seu mantra, “Ó ó ó todo poderoso Timão” essa voz potente e uníssona que carrega a mística Corinthiana, consagrou Hugo que defendeu a cobrança decisiva, dando a classificação a Fiel Torcida, um lutador da vida, no time que nunca para de lutar e ao lado da torcida que nunca para de cantar.