Nilton Lahn
Que mentalidade competitiva tem o Corinthians, o time que menos finaliza no campeonato brasileiro?
Como sempre, as entrevistas e o discurso dele são muito bonitinhos, mas na prática, no futebol jogado, a gente não vê nada disso.
em Bate-Papo da Torcida > VP e a mentalidade competitiva
Em resposta ao tópico:
Nas primeiras entrevistas de Vítor Pereira à frente do Corinthians, o treinador português sempre ressaltou um fator importante para vencer: a mentalidade vencedora e competitiva.
Isto é, não se contentar com empate ou derrota, mesmo diante de circunstâncias adversas - o que ele mais viu durante sua passagem de quase 8 meses no clube. Em todas essas ocasiões, o técnico indicava que tinha um elenco de qualidade, embora com defasagens, mas capaz de fazer frente aos principais adversários da temporada.
E o fez. Principalmente quando tinha o time considerado por muitos como o ideal à disposição. Fato é que, com este time nas principais partidas, o Corinthians deixou de ser uma zebra e tornou-se uma pedra. Um ótimo exemplo são os confrontos contra o Flamengo, na Libertadores e na Copa do Brasil. Visto por muitos como o melhor elenco do país e time de melhor futebol, junto ao Palmeiras, o Flamengo pôde se sobressair ao alvinegro nas partida continentais, quando enfrentou um Timão sem três dos seus principais jogadores.
Renato Augusto, o cérebro do time, só esteve apto para o segundo jogo decisivo; Maycon saiu no começo do primeiro tempo do confronto; e Willian sequer participou do jogo de ida, na Neo Química Arena.
Já nos jogos finais da Copa do Brasil, com o elenco mais equilibrado e com RA8 inteiro, porém ainda sem Maycon 100%, o Corinthians fez frente sendo ainda melhor do que o rival, jogando no Rio de Janeiro. O título não veio, os jogadores se mostraram abalados, mas ficou claro que esse é o primeiro passo de uma reconstrução de mentalidade.
De 2017 para cá, ano do último título de expressão do Corinthians, a equipe oscilou muito e até brigou contra o rebaixamento em algumas oportunidades (2018 a equipe só escapou nas rodadas finais). Mesmo tendo em seu elenco jogadores vencedores, como Cássio, Fagner, Jadson, Ralf e Danilo, o time não mostrava força ou poder de reação contra adversários superiores. Não como mostrou contra o Flamengo nestas finais.
As conquistas da temporada de 2022 são pequenas para uma equipe como o Corinthians, sim. Esperava-se mais principalmente em relação ao investimento feito em jogadores e comissão técnica. Mas não se pode negar que a mentalidade e realidade mudou. Foi possível sentir de fato que conquistas estavam próximas. Não era ilusão acreditar em título de copa nacional, chegamos bem até a sua final.
Azar, ilusão, detalhes, etc, a verdade é que o que faltou ao Corinthians sobrou no adversário: o costume (recente) a grandes conquistas. Mas isso está sendo reconquistado.
E por isso, seria importante manter Vítor Pereira, para dar sequência a essa reconstrução e o desenvolvimento de uma nova identidade. Se ele não ficar, ok, o clube fica. Mas a necessidade de encontrar um treinador com personalidade e capacidade similar, também.