Wandeson Cunha
Não é uma vitória, mesmo que deliciosa contra a porcada, que vai me fazer mudar de opinião e achar que o trabalho do Sylvinho é ótimo. Continuo achando que o time do Corinthians virou areia demais para o caminhão dele.
Mas o jogo contra o Palmeiras foi um respiro tático que parecia o resultado de treino de uma temporada. Várias coisas que não vimos em monte algum da trajetória do Little Sylvio, e que chamaram muita atenção. Bora lá?
1. Cantillo protegido, mas sem cães de guarda.
Jogar com Cantillo sempre foi um lençol curto. Melhora a saída, mas quebra a marcação. Sylvinho 'resolveu' o problema colocando Gabriel e Roni a sua frente. De fato ele ficou mais protegido, mas isso arrebentou a armação do time. No sábado vimos que a blindagem do camisa 24 não aconteceu a partir de jogadores de marcação, mas por compactação. O Corinthians não se defendeu em um 4-1-4-1, mas em um 4-5-1, que só se desmontava quando Giuliano saia pra caçar, formando um 4-4-2. A linha de 5 ficou tão compacta que o colombiano não precisou caçar, e ainda fez várias interceptações de passe.
2. Cantillo com opção de passe
Cantillo acertou os 48 passes que deu, sejam curtos ou longos. Não vou atribuir isso a ele ter feito uma partida a cima da média, mas por ter opções de passe. Renato e Giuliano sempre deram ótimas opções na jogada curta. Guedes, Willian e GP atacaram muito bem os espaços dando opção de passe longo.
3. Pontas não dobraram a marcação na lateral
Minha preocupação quando saiu a escalação era do Willian e o GP voltarem tanto para ajudar os laterais que deixassem o Guedes isolado. Mas o que aconteceu foi que a linha de 5 que ajudaram a formar liderou o balanço defensivo, marcando a zona. Isso fez com que as interceptações acontecessem mais na intermediária, sobrando gás para os velocistas.
4. GP abrindo o corredor para o Fagner
Ao contrário de Willian e Mosquito, GP não é velocista de grandes distâncias. Sua velocidade está na explosão. É uma sprint curta pra chegar ao gol. Até por isso, e ser canhoto, claro, a tendência é armar para dentro. Aí onde entra um dos pontos cruciais de ter um time cheio de jogadores acima da média. Quando a jogada se desenhava pela esquerda, GP afunilava e, na preocupação de diminuir o espaço de Willian, Renato, Giuliano e Guedes, o bloco defensivo do Pameiras se deslocava inteiro para a esquerda. Resultado: corredor escancarado. Não tem Sylvinho que segure. Ao menos 3 vezes no jogo o Fagner se posiciona como ponta, a bola roda até o Cantillo que estica a bola no lateral que parte pra cima e dobra com GP pra cima do lateral adversário.
5. Inversão dos pontas era sinal de avanço de Renato e Giuliano
Quando Willian e GP trocavam de posição e paravam de jogar com pé trocada o jogo esgarçava. Espaço no meio aberto, sinal de verde para o avanço em bloco dos meias. Assim saiu o primeiro gol do Corinthians.
Estou ansioso pra ver se o Sylvinho repetirá o time contra o Bragantino. Orando para que ele não caia na tentação de amarelar e voltar com Jô e contra o Bahia voltar com Gabriel.


