H. Otto
O Corinthians tem registrado, ano após ano, déficits financeiros. Isso significa que o clube tem gastado mais do que arrecada. Uma hora, essa conta terá que ser paga (e com juros).
É premissa básica de qualquer trabalhador que não se deve gastar mais do que se ganha. Se em algum mês os gastos excedem a remuneração, a pessoa precisa ter uma poupança anterior ou apertar os cintos no mês seguintes.
A maioria das dívidas têm juros capitalizados; isso significa que os juros se transformam em capital e sobre eles incidem mais juros. É uma bola de neve. Por isso, quanto antes a dívida é abatida, melhor é.
Essa premissa não serve apenas para pessoas; serve para empresas, para o Governo e, vejam só, para clubes de futebol.
Há pouco tempo, o Corinthians contraiu uma dívida substancial: o Estádio. A ideia era que a bilheteria pagaria o estádio, mas a verdade é que dinheiro do futebol do clube tem sido direcionado para o pagamento da dívida e, ainda sim, o valor não tem sido pago tempestivamente, tanto que recentemente a Caixa Econômica ingressou na justiça cobrando os valores.
O Clube tem outras receitas (patrocínio, televisão, etc.), mas sem a bilheteria há uma queda substancial da arrecadação. Ainda, o Corinthians não costuma revelar grandes jogadores; quando isso acontece, geralmente são vendidos a preço de banana, diferentemente dos grandes rivais como Santos e São Paulo, que sabem valorizar suas jóias.
Embora tenha uma categoria de base multicampeã, os jogadores da base não são aproveitados no profissional; o Clube prefere comprar jogadores medianos para compor elenco do que investir na garotada. Pior do que isso, mesmo os jogadores que chegam para compor elenco não são capazes de cumprir esse papel e acabam sendo emprestados, alguns antes mesmo de estrear pela equipe (como foi o caso do Luidy, que era reserva do CRB). E vários dos salários dos jogadores emprestados continuam sendo custeados pelo Corinthians.
Enquanto isso, as dívidas se multiplicam, especialmente a do Estádio, que poderia ter sua dívida inclusive antecipada.
Por isso, o teto salarial individual não basta. É preciso que exista um número máximo de jogadores (e treinadores) vinculados ao Corinthians; é necessário, também, que exista um teto global de gasto com salários, considerando a necessidade de que exista uma sobra para pagamento da dívida. Estourou o teto? Não se contrata mais, utiliza-se a base.
Ademais, transparência é fundamental. Cada valor gasto com contratação, base salarial fixada, tudo precisa ser público, pois o Corinthians (ao menos por enquanto) não é uma empresa.
Os naming rights não vieram e, pelo andar da carruagem, nem virão; o patrocínio master chegou em um valor bem menor do que se imaginava. Ainda sim, com boa gestão financeira, o Corinthians pode se tornar ainda maior em algum tempo.

