Em 1912 o time estreou o seu distintivo no uniforme que trazia as iniciais C e P bordadas no peito por Antônia Perrone companheira de Rafael, um dos fundadores. Também foi confeccionada a primeira bandeira, alvinegra, e benzida pelo Padre Antônio Padova. Nesse ano as camisas beges que manchavam e desbotavam dando trabalho às lavadeiras (irmãs ou esposas dos associados) foram substituídas por brancas. Outras fontes indicam que já eram brancas há mais tempo.
O clube esteve pela primeira vez nas manchetes dos jornais nesse ano, quando ganhou seu primeiro troféu fora da várzea. Foi na prova de pedestrianismo Unione Viaggiatori Italiana, um revezamento de 10 mil metros que ocorreu em 29 de Dezembro. Muitos torcedores foram ao Parque Antártica, então de propriedade do E.C. Germânia, pois esse era o grande evento esportivo do fim de semana. E a maioria ficou surpresa ao ver chegar em primeiro lugar um corredor com a camisa do Corinthians. André Lepre, João Collina e Batista Bonni fizeram a alegria de uma dúzia de torcedores presentes, e todos foram juntos a pé até o Bom Retiro, comemorar a grande vitória. A bela taça se encontra no Memorial do Corinthians.
Não se sabe ao certo quando efetivamente o clube teve a sua primeira sede social. Mas parece que a primeira sede ficava na Rua dos Protestantes, do outro lado da linha do trem. Era uma sede acanhada, mas já dispunha de uma mesa de pingue- pongue com tamanho oficial e mesa com jogos de tabuleiro.
Em 1913 o clube estava em uma nova sede social, na Rua Guarani, 18. E foi lá que se iniciou o registro das atas em livros. E também a cobrança de mensalidades e de joia para associação, das quais só se livrariam os jogadores, desde que as finanças do clube estivessem equilibradas.
O mais antigo texto estatutário do SCCP que se conhece é datado de 11 de Abril de 1913. O Corinthians resolveu ingressar na Liga ao custo de 5 mil réis. E nesse documento, exigido para a filiação na Liga Paulista de Futebol, ficou registrada a data de fundação em 1 de Setembro de 1910. Nele ficou demonstrada a intenção de se criar um clube de verdade, não apenas um time de futebol. Havia muita organização, cronograma para assembleias, regras para as eleições, atribuições do capitão, e estabelecia inclusive o plano de se criar uma biblioteca.
Em Junho, o clube foi para a Rua José Paulino, 2, dando prosseguimento à sua rotina itinerante, mas antes disso, porém, precisou enfrentar um torneio eliminatório para ingressar na Liga. O torneio teve o primeiro jogo, realizado no Velódromo, a 23 de Março contra o forte time do Minas Gerais Futebol Clube, time originado na várzea, no bairro do Brás. Apesar de varzeano, era muito bem armado e financiado pelo seu capitão e presidente Plínio Fonseca.
A elite não queria os times populares nas ligas, e o como o Corinthians era o maior representante dessa classe, tinha parte da torcida contra. Não porque apoiassem o Minas, mas porque eram contra a popularização do futebol. Nesse jogo surgiu o anti corinthianismo, na pele daqueles corvos agourentos que não aceitavam o atrevimento daquele time, com cara e jeito de povo. Nesse dia surgiu também a Fiel torcida, pronta para invadir e tomar conta de qualquer estádio adversário. O time foi escalado assim: Casimiro do Amaral; Fulvio Benti e Casemiro Gonzales; Francisco Police, Alfredo de Assis e Francisco Lepre; Cesar Nunes, Antônio Peres, Luiz Fabi, Joaquim Rodriges e Carmo Campanella. O nervosismo atrapalhou os jogadores corinthianos, mas mesmo assim eles venceram e comemoraram muito com a enorme torcida o placar de 1 a 0. Gol marcado pelo espanhol Joaquim Rodrigues.
O jogo decisivo foi no domingo seguinte, em 30 de Março. Com a força da Fiel e muita garra, o Corinthians goleou por 4 a 0 o São Paulo Sport Club, do Bixiga, e conquistou o direito de entrar para Liga Paulista de Futebol. Os guerreiros da heroica façanha foram os mesmos que jogaram no domingo anterior e a cervejada da vitória dessa vez foi acompanhada de muitos rojões, e teve uma parte custeada pela própria cervejaria como homenagem pelo time ter conseguido a vaga.
Entre abril e outubro de 1913, em seu primeiro campeonato paulista, o clube fez uma campanha razoável e ficou em quarto lugar, sendo que o Americano foi o campeão. Depois de um primeiro turno péssimo, uma reestruturação aconteceu e o time melhorou. Entraram Dias, Amílcar Barbuy e Neco. Saíram Fabi, César e Campanella. O campeonato terminou com 1 vitória, 4 empates e 3 derrotas. 9 gols pró e 17 gols contra. Além dos dois times, também participaram o Clube Atlético Ypiranga, o Germânia e o Internacional. O grupo liderado pelo Paulistano sentia-se incomodado pela crescente popularização do futebol e pela ascensão dos clubes populares. E logo no início o Paulistano abandonou a competição, seguido da A.A. Mackenzie e da A.A. Das Palmeiras, e criaram a APEA - Associação Paulista de Esportes Atléticos. Nesse clima de brigas generalizadas, o São Paulo Athletic Club encerrou sua participação no futebol. O Santos FC, que não teve que passar por nenhum torneio eliminatório, abandonou o campeonato após quatro partidas alegando impossibilidade de custear as passagens de trem para São Paulo. Esse time com outras modificações seria campeão invicto no ano seguinte.
Nesse período se destacou outro espanhol, Casemiro Gonzales, o segundo capitão. Zagueiro de grande prestígio foi ele quem reestruturou o time dando oportunidades aos jogadores dos segundo e terceiro quadros. Dessa maneira viriam as taças e os craques, como Amílcar e Neco. Casemiro chegou a afastar do gol do segundo quadro um dos cinco fundadores originais, Anselmo Correia, substituído por Sebastião, um novato mais preparado. Casemiro tinha muito respeito entre os associados. Era exigente na disciplina dos atletas, mas ouvia seus jogadores antes de tomar decisões. Exerceria a função até 1917.
Nesse episódio, Anselmo Correa, julgando-se injustiçado listou tudo que fizera pelo clube desde a fundação, e emocionado, pediu demissão em uma reunião. Alexandre Magnani não aceitou e pediu a realização de uma assembléia geral. Em 11 de Julho de 1913, Anselmo retirou seu pedido de demissão, mas exigiu explicações, prontamente dadas por Casemiro Gonzales que afirmou ser totalmente apoiado pelos jogadores. Em votação Anselmo perdeu e foi afastado do segundo quadro, mas seguiria fiel ao clube, e jamais pediria demissão novamente.