É realmente difícil de acreditar que o Corinthians possua, em 2025, uma folha salarial superior à do Palmeiras, Botafogo e Fluminense — clubes que, em campo, demonstram desempenho muito mais consistente e organizado. Pior ainda é perceber o quão próxima está a folha do clube em relação à do Flamengo, que mesmo em fases tidas como “ruins”, apresenta um futebol sólido, competitivo e, na maioria das vezes, convincente.
Apesar de termos vencido o Campeonato Paulista sobre o Palmeiras, é evidente que o desempenho apresentado ao longo da temporada por eles foi superior. O Palmeiras possui dois times completos e competitivos, enquanto o Corinthians ainda luta para definir sua equipe titular.
Analisando o elenco, a situação é preocupante:
Goleiro: Hugo Souza é o único com confiança da comissão técnica.
Zaga: Totalmente indefinida e instável.
Laterais: Mateuzinho na direita e Angileri ou Bidu na esquerda, sem grandes destaques.
Volantes: Extremamente inconstantes, com trocas frequentes e sem padrão tático.
Meio-campo: Apenas Garro e Carrillo se salvam.
Ataque: O único setor com alguma definição, com Yuri Alberto e Memphis Depay.
Fora esses nomes citados, o clube praticamente não tem banco confiável. Ainda assim, os gastos com salários são altíssimos e injustificáveis diante do desempenho técnico da maioria dos atletas. Basta observar a folha mensal de apenas sete jogadores, muitos dos quais pouco ou nada agregam ao time:
Igor Coronado – R$ 2,2 milhões
Félix Torres – R$ 1 milhão
Gustavo Henrique – R$ 800 mil
André Ramalho – R$ 850 mil
Talles Magno – R$ 650 mil
Maycon – R$ 550 mil
Romero – R$ 550 mil
Total: R$ 6,6 milhões por mês apenas com esses sete jogadores.
Somente esses sete atletas, que juntos custam R$ 6,6 milhões por mês, já representam uma folha salarial próxima à do Bahia (7,5 milhõe/mês) — clube que atualmente apresenta desempenho superior ao nosso — e inclusive superam a folha do Red Bull Bragantino (6,5 milhões/mês), equipe que briga pelas primeiras posições do Campeonato Brasileiro. Esses atletas, em sua maioria, não justificam os valores que recebem. Alguns têm atuações razoáveis em um jogo e somem nos dez seguintes. Não se paga salários milionários para ter rendimento esporádico. A falta de entrega proporcional ao investimento torna essa folha salarial insustentável.
O Corinthians precisa urgentemente passar por uma reformulação estrutural no elenco. Manter uma folha superior à de clubes mais organizados e competitivos é um erro estratégico grave. O clube deve buscar jogadores com melhor custo-benefício, fora do eixo inflacionado do mercado, e com real capacidade de entrega dentro de campo.
Enquanto isso não ocorrer, continuaremos assistindo a um futebol aquém das expectativas, mas com uma conta cada vez mais alta no fim do mês.
Ai daqui a pouco vai começar a emprestar de graça para liberar espaço na folha. Vai gastar com contratação pagando mais pq o cara vem como salvador e vem sabendo que o salário atrasa, ai já aproveita pra pedir mais. Daqui a 6 meses já não vão servir e o ciclo não tem fim.