Douglas Silva
Baita relato amigo.
Corinthians ainda te daráais muitas noites de insônia, mas de alegria, vitórias e títulos.
Tenha certeza disso.
Vai Corinthians
em Análise dos jogos > O árbitro de vídeo anulou meu sono e deu falta para o Cruzeiro
Em resposta ao tópico:
O dia 02 de dezembro de 2007 foi o domingo mais triste da minha vida. Naquela tarde fatídica, o Corinthians empatou com o Grêmio pelo placar de 1 a 1 e sentenciou sua ida para a 2ª divisão do campeonato brasileiro.
Eu tinha apenas 14 anos na época. Chorei dolorosamente pelas horas que se passaram após o apito final. Sofri uma dor que só outro corintiano pode compreender. Minha mãe, talvez desesperada em ver o sofrimento do filho, brigava comigo para que eu 'acordasse para a realidade'. Meu pai, fonte de minha paixão pelo Corinthians, tentava me consolar - embora também estivesse em luto.
Os amigos da escola, claro, estabanavam-se para degustar meu sofrimento.
O ano virou, e sob nova administração o Corinthians prometia mudar. Apagaria rapidamente o dia mais sombrio de sua história.
Nesse âmbito de mudança e renovação, chegou à final da Copa do Brasil daquele ano contra o Sport Clube do Recife - dono da mais irritante torcida do estado de Pernambuco, onde vivo.
Meu ânimo com aquela final extrapolava os limites impostos pela humilhação de 2007. Parecia que o Brasil teria que engolir o tamanho do Corinthians que caiu, mas persistia na luta pela raçã que caracterizava sua camisa.
Depois do 3 a 1 no jogo de ida, no Pacaembu, vociferei contra todos na minha turma - inclusive professores - pois o Corinthians exigia respeito. Além do anti-corintianismo sempre presente, meu ambiente contava com o apoio inexorável ao Sport, time local que também buscava uma taça.
No jogo de volta, o Corinthians sucumbiu à pressão rubro-negra, perdendo o jogo por 2 a 0 e, consequentemente, a taça.
Naquele 11 de junho eu senti novamente uma dor avassaladora. Deitei-me aos prantos em uma cama coberta por um tecido com o brasão do Corinthians. Agarrei aquela manta desesperado, chorando copiosamente pela perda da taça e pelo sofrimento do rebaixamento.
No dia 12, fui a escola para sofrer. Minha cadeira encontrava-se toda marcada com comemorações ao título do Sport. Meus colegas de sala me saudaram com o tal 'Kaza kaza kaza' - característico canto da torcida rubro negra.
Meu professor fez piada.
Pessoas de outras salas - que se quer me conheciam - foram me visitar, pois eu era a mais nova chacota da escola.
Se nada havia o que dizer, dei meu testemunho na camisa que vesti. 'Eu nunca vou te abandonar, por que eu te amo!'. Para os bons leitores, boa palavra bastava.
Os anos se passaram. A escola ficou para trás e o Corinthians se reconstruiu. Nos últimos 10 anos conquistou todos os títulos possíveis. Voltou a ser uma das grandes potências do futebol brasileiro, para o desespero de muitos - incluindo meus colegas de sala.
Mais de dez anos depois...
Na noite de ontem, 17 de outubro, teve a chance de vencer uma Copa do Brasil novamente.
Infelizmente, não o fez.
Como time tecnicamente inferior procurou lutar com a raça que tinha e com a força de sua torcida. Fez o que pode, mas acabou prejudicado pela arbitragem.
O jogo que estava empatado em 1 a 1 garantia o título para o Cruzeiro. Até que Pedrinho - meu xará - fez uma obra de arte e anotou um golaço para por o Corinthians na disputa dos pênaltis.
De forma inexplicável, entretanto, o árbitro de vídeo indicou falta em Dedé no início da jogada. O árbitro de campo, que já havia assinalado pênalti duvidoso em favor do Corinthians utilizando da tecnologia, errou novamente.
Anulou um dos gols mais belos da história da Arena. Pôs um asterisco na história da Copa do Brasil.
Tirou o Corinthians da disputa dos pênaltis. Tirou meu sono.
Deu falta para o Cruzeiro, que depois liquidaria a fatura num contra-ataque. 2 a 1 para a Raposa, em Itaquera.
Dez anos depois eu voltei ao mesmo cobertor que havia me amparado após a derrota para o Sport.
Já não tinha lágrimas. Não há pelo que chorar - esse time do Corinthians foi além de suas forças para chegar à final. E, ainda por cima, lutou como se não houvesse um amanhã para colocar as mãos na taça.
Deu-me orgulho.
Mas a equipe de 18 árbitros escalada pela CBF provou que nesse país nem a tecnologia dá certo. Seja por ignorância ou má vontade somos uma terra do atraso onde ferramentas como o VAR - que modernizam e auxiliam a nossa vida - são deturpadas para se tornarem parte do problema.
Junto com o gol do Pedrinho - e os gritos que dei em comemoração - foram anulados os meus sonhos e a minha alegria em ver o Timão campeão. Dez anos depois da sofrida derrota para o Sport, sinto-me de volta na sala de aula onde encontrarei apenas aqueles que querem destruir o Corinthians.
Mas, também, sinto o mesmo sentimento das palavras de outrora:
EU NUNCA VOU TE ABANDONAR
PORQUE EU TE AMO!
Posso não dormir hoje. Voltarei a ser alvo de chacota. Mas sempre serei Corintiano.