Eduardo Bernardi
Não é de hoje que nós, torcedores corintianos, estamos desconfiados com relação a como o dinheiro do clube vem sendo usado. As histórias com relação às famosas 'taxinhas' ganham força a cada ano que passa, não há transparência alguma nas contas da Arena, não sabemos (temos uma ideia) para onde vai nosso dinheiro do ingresso, camisas e tudo que tenha a marca do nosso Timão.
Mas o que venho tratar nesse tópico é algo muito mais simples do que a péssima administração que permeia nosso clube há anos, a famosa 'filosofia de jogo'.
Quando comecei a torcer para o Corinthians, em 1998, o que mais me encantava era a ofensividade do time, que tomava gol todo jogo, mas fazia o dobro. Todo jogo era emocionante, a cada gol tomado, um golaço era feito. Seria injusto cobrar do futebol brasileiro o mesmo desempenho hoje, visto que a Europa está destruindo nosso campeonato cada vez mais. Jogadores que antes saíam com 18 anos, saem com 16 agora.
Comemorei, e muito, todos nossos títulos de 2011 pra cá, principalmente o de 2015, que foi um dos melhores Corinthians que já vi jogar, mas que perdeu uma Libertadores para ele mesmo, temendo um tal de Guarani do Paraguai (pagamos o preço da tal filosofia).
O time de 2017 foi um acontecimento inédito. Um time com investimento quase zero fez o melhor turno da história do campeonato brasileiro, e detalhe: sem ser ofensivo. Jogando por uma bola todo jogo, e contando com um gigante no gol e dois zagueiros de altíssimo nível. Jô foi o melhor atacante que tivemos em anos e assim conquistamos o Brasileiro pela sétima vez, a quarta no século.
Após mais uma debandada feita pela nossa diretoria, o time foi lá e conquistou o Paulista de maneira muito sofrida. Perdendo os três jogos de ida e tendo que reverter no segundo jogo, com direito a gol no último minuto e duas disputas de pênaltis em que Cássio (mais uma vez) nos salvou.
Agora vemos nosso time vivendo o famoso momento 'acabou a sorte'. O que sobrou? Um catado totalmente sem qualidade, sem entrosamento, sem vontade, sem personalidade, com uma promessa que está longe de deslanchar e com jogadores de base improvisados totalmente desesperados em campo. Ainda sim vejo muitos citando a 'filosofia vencedora' do clube. Infelizmente não estão vendo que ela é, depois da ruindade dos jogadores, a principal causa de estarmos jogando tão mal.
Eu entendo meu time ser derrotado, faz parte do esporte. Mas ver o meu Corinthians já entrar sem perspectiva alguma de vitória em campo me traz uma tristeza tão grande, muito maior do que o rebaixamento de 2007. Uma postura de time pequeno disfarçada de titebilidade que mascara a impressionante ruindade de um time que não sabe fazer gol, não sabe triangular, não sabe ao menos chutar mais que 10 bolas no gol em um jogo.
Já vi times piores que este, mas que causavam muito, mas muito mais incomodo nos adversários, principalmente fora de casa. Nossos números nos estádios adversários são um dos mais ridículos de nossa história. Não somos um Guaratinguetá da vida em que se espera algo do time apenas quando joga em seus domínios.
É uma linha tênue entre a glória e o fracasso. Se ficarmos apostando em 'jogar por uma bola' o resto de nossa história, podemos nos preparar para dias piores. Estamos vendo a consequência disso nesse momento. De um título heroico, a uma derrota como ontem, em que não levamos perigo ao Weverton em nenhum momento durante 90 minutos. Esqueceram que para jogar por uma bola, temos que ter pelo menos UM jogador para decidir, e parece que nem isso temos mais. Obrigado Andrés e toda a sua cúpula pela destruição progressiva de nosso time e comissão técnica. E também por criar uma ilusão de que um estilo de jogo vai continuar enganando a ruindade desses jogadores. A diferença que ao invés de perdermos de 3x0, vamos perder de 1x0.
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