Anisio Molim
Só tenho que parabenizar a sua lucidez, pois, ao contrário do que eu pensava depois que combatemos a ditadura do qual muitos de minha família foram vítimas dela, não mortais graças ao bom Deus, mas, por deixar a nós todos pequenos ainda com idade de adolescentes na vida sem a menor perspectiva de um dia vê-lo novamente meu pai e alguns tios, por estarem ausentes de forma obrigatória na clandestinidade, imposto pelos militares ditadores de 1964, que depois dessa fase ditatorial, haveríamos de construir uma nação mais igualitária, mais humana, mais solidária, com mais saúde e educação principalmente. Qual nada, a coisa parece estar pior do que era. Tivemos um sopro de progressismo com Lula/Dilma em pouco mais de 12anos de governo, que ficou apenas na vontade, pois as forças do mal, do ódio, do preconceito estão nesse momento ganhando das forças do bem.
E eu fui servir o exército em 1969, e acabei por ironia do destino, a servir de cabo motorista numa facção paramilitar de nome Operação Bandeirantes grupo armado de extrema-direita composto por militares, polícia federal e DOPS, e que depois da morte de Wladimir Herzog nos domínios do cativeiro dessa organização que era no pátio de uma Delegacia comum na área do Bairro Paraíso/Ibirapuera na Rua Tutóia, que deixou de ser Operação Bandeirantes, por ser fundada e instituída aqui em São Paulo, e que acabou se espalhando por toda as grande capitais de estados brasileiros e com isso seu nome nacional virou DOI-CODI.
Era tortura o dia todo, que eu assistia de presos políticos em geral estudantes, professores, alguns intelectuais, jornalistas, ativistas políticos, trabalhadores em geral, sindicalistas, enfim, todos aqueles que eles diziam ser inimigos da revolução de 1964. Revolução que nunca foi revolução, pois, não houve confronto entre o estado estabelecido com o estado inimigo do estabelecido e que não houve também uma morte sequer no evento, mas, deram esse nome para não circular nos noticiários internacionais de golpe de Estado, de um governo legitimamente constituído rigorosamente pela constituição da época.
E eu naquele ambiente, sempre rezando para que eu não visse um dos meus familiares pegos por essa gente que se diziam os salvadores da pátria.
Foi um período de 2 meses, não aguentei mais de assistir tantas torturas, e pedi a minha transferência depois de ter negado uma ordem do comandante desse grupo de viajar para Porto Alegre junto com uma equipe que iria buscar dois sujeitos considerados terroristas que pegaram em conflito armado contra a polícia de lá e que foram acusados de colocarem bombas numa instituição governamental de Porto Alegre.
Eu me recusei e fui imediatamente transferido para o Batalhão de Guarda no Parque Dom Pedro, direto para cadeia de lá, hoje o prédio é uma ruína, e fiquei encarcerado por 12 dias e depois fui fazer serviços de pedreiro, de carpir mato, enfim, essas coisas que eu nunca tinha feito, até dar 'baixa' no exercito que aconteceu em maio de 1970.
Foi uma experiência muito louca, que me deixou por um período com trauma de guerra, pois, só pensava nos berros e angustias daqueles torturados. A pancadaria comia solta a todo o momento dia e noite a ponto da vizinhança pedirem as autoridades que terminassem com aquele gritos de sofrimentos, O que fizeram foi colocar acústicas nas sala de torturas, principalmente nas que estavam instaladas as cadeiras de dragões (cadeiras de choque elétricos) e onde estavam os pau de arara.
Os faxineiros que trabalhavam lá todos os dias, limpavam poças de sangue, urina, fezes, e as vezes pedaços de carne humana. Era comum isso tudo.
Meu pai volta em 1973,7 anos fora de casa, e arrumou um emprego com um amigo seu que tinha uma pequena metalúrgica e que precisava de um bom ferramenteiro e daí meu pai começou a reconstruir a sua vida e a nossa foi ao poucos se reconstruindo também. Parei os meus estudos por algum tempo, mas voltei e consegui ter uma formação, e que depois de muito mais velho consegui outra formação.
Tenho uma foto com meu pai, minha mãe, nós três envergando a bandeira vermelha do partidão, no comício do Vale do Anhangabaú pedindo diretas já, com mais de 1 milhão e meio de pessoas, assim simultaneamente acontecendo na Candelária Rio de Janeiro, segundo informações, com mais de um milhão de pessoas também.
Enfim, tenho arquivos escritos e vivos de muitas coisas que aconteceram nesse país de predominância negra, rejeitada até mesmo as vezes pelos negros, que não se acham negros, como o ronaldo fenômeno que sempre negou a sua origem, ou, no caso de preconceito o próprio Pelé, que sempre negou a sua filiação a uma mulher filha sua, fruto de um encontro 'casual' com uma camareira de hotel.
É isso meu caro Bob. Mas a coisa não para por ai, tem muito mais.
Vamos por doses homeopáticas. Kkkkkkk.
em Bate-Papo da Torcida > O que Mia Khalifa e Danilo Avelar não tem em comum?
Em citação ao post:
Muitíssimo obrigado pelas informações tão preciosas...de fato o que ocorreu no impeachment foi simplesmente o ódio de uma classe que se auto denomina elitista mas hoje é a mais quebrada do país(classe média), simplesmente essa coxada não aceitava um analfabeto vindo de baixo no poder, obviamente que a falta de competência intelectual atrapalhou o PT quando tinham a faca e o queijo na mão e não investiram na infra-instrutura que há décadas se procura nesse país, agora é inegável a mudança positiva que tivemos no governo PT sobretudo com o Lula, nos meus 31 anos de vida foi sem dúvida o momento mais próspero da minha família e amigos, tirou da miséria extrema pessoas que a classe elitista nem sequer sabia que existiam, abriu o nosso mercado e foi considerado pela forbes entre as 3 pessoas mais influentes do mundo, era o cara que juntava 40 mil trabalhadores em um estádio, batia o pau na mesa e dizia 'não trabalharemos nessas condições'. E por ironia ou não, ainda não se provou nenhum dos crimes atribuídos a ele, natural não é mesmo? O que esperar de um juiz casado com a filha dos fundadores do psdb?
Hoje demos muitos passos para trás, levaremos décadas para retomar o que o pt construiu, e na verdade com esse prognóstico sombrio de políticos como o bostanaro, eu acho que dificilmente voltaremos aos tempos de bonanza.