Paulo Giovani
Schopenhauer dizia, com razão, que o ser humano tem mais dificuldades de julgar, de avaliar, do que de raciocinar. Muito se fala hoje que vivemos a era da intolerância. De fato, reina a falta de respeito pela opinião alheia, a hostilidade perante o discurso do próximo, com o qual não se concorda. Minha dúvida é somente se, também nesta seara, não idealizamos o passado; não o pintamos com cores que, no fundo, ele não tinha.
Numa espécie de paradoxo bastante curioso, constantemente me deparo com o diagnóstico: em várias áreas, não apenas no futebol, a maioria das pessoas é taxativa, intransigente onde não deve, e excessivamente relativista também equivocadamente. Neste cenário, coexistem a mencionada intolerância e um movimento de certa forma oposto, no qual se paga de bonzinho, de aberto à visão do outro, quando na realidade esta última não configura uma opinião plausível, e sim uma leitura simplesmente equivocada de fatos; um erro intelectual.
O debate – epidêmico nos últimos anos – acerca de quem seria melhor, Rodriguinho ou Cristiano Ronaldo, costuma banhar-se num oceano de platitudes, de proposições espalhadas, proferidas e aderidas por quem sequer flerta com uma quantidade minimamente aceitável de estudo/observação que seria condizente, suficiente para se ajuizar apropriadamente. Pode-se preferir qualquer um, por determinados prismas; você pode gostar mais, sei lá, até do Neymar, do Messi. Mas Rodriguinho é melhor do que CR7 e ponto. Não se trata de opinião. E antes de qualquer coisa, ressaltemos: Cristiano Ronaldo é excelente, um dos grandes de todos os tempos. Aqui, não nos referimos a nenhum demérito dele.

