Mauro Kac
Segundo Rosenberg, a parte do valor que excede o empréstimo do BNDES, foi antecipada pela empreiteira pela demora na liberação dos recursos pelo banco público, que o fez somente pouco antes da Copa do Mundo.
Diante da necessidade de ter a Arena pronta para a abertura, a Odebrecht foi construindo com recursos próprios e trata esses valores como um empréstimo sobre o qual está cobrado juros.
Sobre a dívida atual veiculada pela diretoria de 1,17 bilhão, depreende-se que 400 milhões sejam devidos ao BNDES e o restante à empreiteira, incluindo-se aí os juros.
Nem clube nem empreiteira divulgaram documentos que formalizaram essas ações, mas eles por certo devem existir estabelecendo os termos e as garantias para tal desembolso. O que não sabemos é qual foi o desembolso real e qual o montante em juros.
Pelas palavras de Rosemberg deduz-se que a CEF está envolvida somente no empréstimo do BNDES e é essa negociação que o clube quer finalizar em termos factíveis e sustentáveis, e onde ele tem pouco a questionar.
Quanto à dívida com a empreiteira a questão é diferente - Há muito a se discutir, desde a finalização da obra que ainda não ocorreu, embora ela, Odebrecht discorde, até o valor real do que foi desembolsado, juros e outras decisões tomadas à época, que segundo Rosemberg, foram de responsabilidade exclusiva da empreiteira.
Antevê-se uma negociação dura mas a empreiteira já deu indícios de que pretende desembarcar do projeto, como já o fez no Maracanã, e o cenário para um entendimento é favorável.
As CID, que a partir da inclusão de seu valor no orçamento municipal passaram a ser bem aceitas pelo mercado, são um valor expressivo que provavelmente será a base da quitação com a Odebrecht.
Provavelmente, ao fim da negociação a empreiteira ficará com as CID e fora da gestão da Arena, teremos o contrato renegociado com a Caixa em condições mais adequadas com acréscimo de 50 milhões na dívida, e uma obrigação financeira mensal ainda elevada.
Será um cenário melhor mas continuo vendo a participação da torcida como a única forma de restabelecer a saúde financeira do clube.

