Gustavo Henrique
A grande diferença do time do Tite para o Carille, além da qualidade do elenco, era que tinha duas formas de jogar, não marcava o adversário só atrás, fazia muita marcação pressão que o time atual quase não faz, fora a posse de bola, sabia o que fazer quando enfrentava retranca.
em Bate-Papo da Torcida > A aula de Tite que Carille faltou
Em resposta ao tópico:
Não precisa muito eforço para observar que, se taticamente nosso técnico não difere muito do mestre, há um aspecto que distância muito os dois - o controle emocional do elenco.
O fato é que devemos ao Telê Santana a quebra de paradigma da relação do futebol brasileiro com a Libertadores e outros torneios sulamericanos. Nosso histórico era sempre o mesmo. Com um abismo separando os níveis sociais e de escolaridade entre jogadores brasileiros e argentinos, eles, mais inteligentes, durante décadas ganharam jogos simplesmente desequilibrando emocionalmente os brasileiros. Até que Telê finalmente conseguiu enfiar nas cabecinhas de vento de nossos jogadores que passaríamos a vencer quando eles controlassem as emoções. E quem viu (infelizmente) o bambi do Telê sabe porque ganharam tanto.
Vinte anos depois o mestre Tite reforçou o conceito. Conseguiu demonstrar para seus comandados que sim, é possível ser forte, jogar com raça, intensidade, mas focado, emocionalmente controlado. Ganhamos tudo.
O jogo de ontem foi apenas mais um que evidenciou esta gritante falha do time do nosso técnico Carille, um técnico muito bom. As reiteradas faltas desnecessárias de Gabriel e Fagner, os intermináveis bate-bocas com o árbitro da partida, as peitadas com os adversários após lances ríspidos, o aumento do número dos cartões amarelos e vermelhos, tudo deixa muito claro que hoje, o maior desafio de Carille, é transmitir o ensinamento do mestre Tite: Não precisa ser um time frio, mas ninguém chega a lugar nenhum sem os nervos no lugar. Uma palestra com Sheik acho que ajudaria muito.
