João Moreira
Belo texto, falou muito e é super compreensivo, mas será que todos aqui vão entender isto?
Nos últimos tempos aqui no fórum é:
Romero é péssimo ou Romero é fod@
em Bate-Papo da Torcida > ''FALTA RESPEITO'', Melhor texto sobre o...
Em resposta ao tópico:
Não é de hoje que um time de futebol não vive apenas de qualidade técnica para ganhar títulos. Montar um bom grupo e ser campeão passa por uma série de fatores onde o treinador e a dedicação dos jogadores são imprescindíveis. Vide a Itália de 82, que era muito mais organizada, mas expressivamente menos técnica que o Brasil e eliminou a seleção canarinho.
A introdução do parágrafo acima visa fazer com que o leitor entenda a visão do colunista sobre o assunto que vem a seguir: Ángel Romero. É constante ver o paraguaio como personagem principal de piadas e chacotas, mesmo entre torcedores do Corinthians. Os motivos são claros: a falta de qualidade técnica que se espera de um atacante. Embora este colunista já tenha visto jogadores muito piores do que este, no Corinthians e em outros clubes, tenho de concordar que Romero não é o atacante dos sonhos. Mas, dentro das possibilidades, quem é?
O papel que o paraguaio cumpre no time do Corinthians eu considero um dos mais importantes de todos. A função tática que cumpre Romero (e que vezes Jadson também tem de se esforçar para fazer do outro lado) é onde começa a parede defensiva do time de Carille. O Corinthians é um dos times da elite do campeonato brasileiro que menos tomou gols na temporada e isso não é apenas responsabilidade de Pablo e Balbuena. Vou além: o futebol fino jogado pelo lateral Guilherme Arana em 2017 que lhe deu a honraria de ser considerado um dos (senão o maior) destaques do time na temporada, passa pelo auxilio que ele tem do paraguaio. Todo lateral esquerdo sonha em ter alguém como Romero no time. Como, no Corinthians, André Santos, Roberto Carlos e Fábio Santos tiveram na figura de Jorge Henrique.
Não tenho intenção, aqui, de empurrar Romero goela abaixo. Mas, veja bem, se eu estou tentando fazer isso, na sua visão, Tite, Cristóvão e Oswaldo também tentaram. E agora Carille. Romero foi titular com todos os treinadores que passaram pelo Corinthians desde Tite. Respeitar o clube não é dar entrevista dizendo que é o maior do Brasil. Respeitar o clube é se entregar, no treino e no jogo, é fazer exatamente o que o treinador pede e oferecer o melhor trabalho sempre. E Romero faz. Mas a recíproca, por parte de muitos colegas da imprensa e torcedores, não é verdadeira. A função do Romero no time não é compreendida e suas tarefas não são valorizadas. Sem falar que ele é o artilheiro da Arena Corinthians.
Recentemente o clube contratou Clayson, junto à Ponte Preta, e dizem que é para “preencher a lacuna da posição mais carente”: a de Romero. Será que Clayson terá a mesma capacidade tática, de entendimento de filosofia de jogo e força física de marcação que tem Ángel Romero? Passaram por ali Marquinhos Gabriel, Lucca, Rildo (por poucas oportunidades, é verdade), Marlone e até Giovanni Augusto. Ninguém teve a mesma competência. Está na hora de olharmos o futebol de uma perspectiva distinta daquela de costume. Não é apenas driblar para dentro, jogar para a perna direita e bater no gol. É se enquadrar dentro do estilo de jogo que aquele grupo tem material humano para oferecer. Como fazem Carille e Romero. Avaliar apenas qualidade técnica é simplista demais. A estratégia é tão válida quanto.
De considerado o pior time da cidade para o título paulista e perspectiva de coisas maiores no brasileirão passa também pelo papel que faz o paraguaio no Corinthians. Precisa respeitar o profissional e analisar o futebol como um jogo de xadrez. Isso ganha campeonatos.
