Renato Magalhaes
é um clube que vem crescendo ano a ano no cenário sulamericano...escola forte do sul da América.
Jogo duro...
Quando falaram que nossa chave era baba! Eu disse jamais..
Baba foi o ano passado com san lorenzo e bambi.
em Bate-Papo da Torcida > Análise Geral do Independiente Santa Fe
Em resposta ao tópico:
O Independiente Santa Fe é uma instituição séria, voltada para a eleição de uma ideia de futebol que não esteja a serviço da corrupção, lavagem de dinheiro ou demagogia política. Saem dirigentes e entram outros e esta política segue firme no clube capitalino. Esta postura também serve para suas comissões técnicas e jogadores.
Gerardo Pelusso está no Santa Fe desde 2015 e tem o mais completo respaldo da direção do clube. A relação é parecida com a de um colégio tradicional no qual o diretor espera dos alunos que mantenham com seus professores o maior respeito possível. Porém, se este ambiente é dos melhores para o técnico, ele também não pode sair da linha. No caso, parece ter havido um casamento perfeito entre clube e treinador, já que Pelusso é um profissional sério, além de uma pessoa educada e gentil. Desta forma, tudo parece concluir para o desenvolvimento de um ambiente estável e saldável para o exercício do futebol.
Sistema de jogo
O Santa Fe é uma equipe prática, voltada para a objetividade absoluta e até cansativa. Se este era o perfil sob o comando do técnico Gustavo Costas o panorama se radicalizou com a chegada de Pelusso, no ano passado. Efeito disso é que a torcida do clube é passageiro frequente do drama. O fato é que o sofrimento das arquibancadas parece passar distante do que acontece em campo. Os jogadores são treinados por Pelusso para a manutenção de uma tranquilidade ímpar. Se o time está perdendo de 1x0 o empate pode sair até os 45' do segundo tempo. Se a vitória não acontecer, o empate dificilmente é desvalorizado já que na maioria das vezes ele mantém a equipe nas disputas. Se a equipe estiver vencendo por 1x0 para quê sofrer em busca do segundo gol e colocar uma vitória em risco? Na final da Sul-Americana, o poderio futebolístico da equipe cadenal era muito superior ao do Huracán. Na ida foi 0x0, em Parque Patrícios, em Buenos Aires. Os desavisados imaginavam que o Santa Fe ganharia fácil no jogo da volta. No El Campín a equipe de Pelusso fez um extraordinário jogo tático para simplesmente manter o 0x0 ou conseguir algum gol, sem correr riscos. À medida que o tempo passava o desespero tomava conta de todos, menos dos jogadores dentro de campo. Quando o árbitro apitou o final da partida, todos estavam tranquilos, pois haveria a decisão por pênaltis. No fim das contas, o Santa Fe se sagrou campeão do segundo mais importante torneio continental.
Um dado curioso é que muitas das vitórias do Santa Fe ocorrem nos acréscimos dos jogos. Uma hipótese para isto poderia ser o fato de que nesses minutos finais as equipes costumam perder concentração. Se isto for verdadeiro, quase todos caem em dispersão, menos Independiente Santa Fe. Jogo bonito está decisivamente em segundo plano e isto nunca se modifica. Se a postura passa pela construção da solidez defensiva isto significa que os rivais precisam ser estudados à exaustão. Pelusso realiza esta tarefa com maestria e leva para os seus jogadores todos os pontos fortes e frágeis dos seus rivais. Decorre daí que a necessidade de um aproveitamento alto das jogadas criadas pelo meio-campo e ofertadas para os atacantes. Mas se a defesa do Santa Fé impressiona pela eficiência o setor de ataque deixa muito a desejar. Então, vejamos cada setor mais de perto.
À frente do goleiro Zapata se apresenta uma linha sólida composta por Anchico, Mina, Tesillo, Balanta. Todos os quatro têm reservas à altura, mesmo o excelente Yerry Mina, zagueiro-artilheiro contra quem a defesa do Timão deverá tomar cuidado. Caso interessante é o de David Valencia, jogador de altíssimo nível, mas reserva de Balanta. O meio-campo é extremamente povoado, com Perlaza e Gordillo como 'doble 5', dois volantes de contenção, mas com um bom controle da bola. Em geral, essa bola procura o enganche mais à frente. Esta posição consagrou o argentino Omar Perez, que devido a seus inúmeros problemas físicos vai passando o bastão para os recém-contratados Jonathan Gómez e Carlos Rivas. Daniel Roa joga como meio-campista aberto pela direita, enquanto o venezuelano Seijas o faz pela esquerda. Na frente, apenas um atacante; em geral, Carlos Ibargüen. Também nesses dois setores, o elenco tem reservas à altura para os titulares.
Embora seja bem diferente de Edgardo Bauza, Pelusso recorda o treinador são-paulino na ideia de que cada jogador há de fazer a sua tarefa básica para só depois pensar em algo diferente. Sua equipe busca o contragolpe, mas não se importa em tocar a bola no meio-campo de forma até exaustiva, de maneira a deixar o tempo passar. Mas convém ao Corinthians não se acomodar a esta situação, pois o Santa Fé é uma equipe traiçoeira e com muito talento no setor de meio-campo. Muitos gols saem por parte de seus defensores em jogadas de bola parada. Mina é um dos artilheiros da atual temporada, mas Anchico, Tesillo, Balanta, Cuesta, Perlaza e Urrego também chegam às redes dos rivais desavisados. Todos são altos, ágeis e especialistas no cabeceio. É uma jogada difícil de ser marcada e a melhor atitude em relação a ela é procurar evitá-la. Chama a atenção o fato de que o Santa Fe disponha de um número tão grande de jogadores altos e bons no cabeceio. Mas este fato não é à toa, faz parte de uma estratégia da equipe, permeada até em parte das contratações.
Prova de como o Santa Fé é organizado está nas substituições dos jogadores entre as temporadas 2015 e 2016. A equipe perdeu 14 jogadores e contratou precisamente 14 outros nomes. A maioria com mais de 1,80m de altura. Acima dissemos que Mina tem substituto na equipe. Tem três, Yamith Cuesta, Jordy Monroy e Jaine Barreiro. São três excelentes zagueiros para os quais o mercado brasileiro já deveria colocar a sua lupa. Yair Arboleda, extremo direito, e Antony Otero, centroavante, também requerem observação.
A grande sorte contra o Santa Fe é abrir o placar nos primeiros minutos. Sorte, pois como ressaltado acima, a equipe de Pelusso é preparada para manter a concentração no início e final do primeiro e segundo tempo. Caso este gol não aconteça, o melhor é copiar e aplicar a calma do rival. Porém, se entrar no desespero, pode cair na armadilha dos colombianos, que saberão capitalizar bons resultados dos espaços oportunizados pela instabilidade dos rivais. Estamos priorizando o encontro do Corinthians contra o Santa Fe na Arena . Contudo, a depender da forma como o Timão encarar o duelo no El Campín, o resultado pode ser o mesmo.
Na nossa avaliação, esta equipe pode sair ainda na fase de grupos ou chegar muito longe na competição, nas semifinais, por exemplo. Tudo se espera da equipe do Independiente Santa Fe, das surpresas mais simples às mais assustadoras. Convém não perder isso de vista.
(site Futebol Portenho)