Paulo Medrano
Em resposta ao artigo 'O Neo-futebol' do blogueiro Flavio Gomes, ofereço um contra ponto de alguém que vai à Arena Corinthians com frequência religiosa.
O conceito do jornalista sobre a Fiel Torcida é justificável, mas é superficial. Ele se ampara nas cenas flagradas no Setor Oeste do estádio, onde ficam as tribunas, camarotes, cativas e afins. Mas, o corintiano comum não assiste o jogo de camarote. Ele vai de metrô, pega fila, paga caro, é revistado, fica em pé, chega em casa de madrugada e acorda cedo pra ir trabalhar.
E faz isso como sempre fez: com alegria e paixão (ou amor incondicional, como queira).
Nas arquibancadas Sul, Norte e Leste Inferior, que estão SEMPRE lotadas, é que se encontram os corintianos corintianos. Não que os corintianos das cativas não sejam fiéis torcedores. Mas esses não representam a massa. Tanto é que o Corinthians está encontrando muita dificuldade em comercializar essas cadeiras (De 5 mil, só vendeu 800).
E tem mais, mijar numa privada quebrada, suja e entupida ninguém merece. A arena do Timão tem banheiros de shopping, sim. Mas, isso não é defeito, é conquista.
Uma ilustração final: após o jogo contra o Once Caldas, pela Libertadores deste ano, lá pela meia-noite e meia, enquanto eu esperava pela carona em frente ao estádio e debaixo de uma chuva fina, passaram por mim uns trinta torcedores da Camisa 12 carregando uma enorme bandeira enrolada. Todos sujos, molhados, de chinelos Havaianas, compartilhando uma única garrafa de 1 litro de água e com uma felicidade radiante no rosto de cada um, comemorando a vitória por 4 a O. Quando passou por um grupo de guardas mais a frente, o último da fila gritou: vai, Corinthians!
Em tempo, cheguei em casa às três da madrugada e acordei cedo no dia seguinte pra ir trabalhar feliz da vida. AQUI É CORINTHIANS!
