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Post de Yure no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão

Para a posição de Meio Campista temos dois jovens, Gustavo Vieira e Marciel, esses sim têm que ter chances, porque vão aproveitar.

em Bate-Papo da Torcida > Volante ou meio-campista?

Em resposta ao tópico:

O futebol moderno exige meio-campistas e não volantes e meias-armadores.

A frase pode parecer impactante, mas está dentro do contexto de mudança pelo qual passa o esporte bretão. É um processo contínuo de evolução, que muitos países conseguem perceber, diferentemente do Brasil.

O futebol jogado pela seleção campeão do mundo mostra como a troca de posições e a execução de várias funções em campo se tornaram necessárias. O meio-campo segue sendo o setor vital de qualquer time, que dá equilíbrio defensivo e força ofensiva.

Assim, cada vez mais o atleta que só sabe desarmar ou que só sabe criar perde espaço nos melhores times do planeta. Essa diferenciação está fada à extinção. Independentemente do esquema tático utilizado, os jogadores de meio-campo têm que marcar e atacar com a mesma eficiência.

Isso não é fácil. Não surgirão atletas assim no Brasil da noite para o dia. Passa por um longo processo de formação, trabalho na base, conceito tático passado para os garotos.

Ser um meio-campista não significa dar carrinhos e chegar na área para finalizar. A posição exige leitura tática, preenchimento de espaços, antecipação, ótimo condicionamento físico e muita qualidade no passe. A técnica ainda é o fator mais importante, mas não pode ser isolado.

O ideal, como escrevi mais acima, é ter um trabalho de longo prazo com a base. Na prática, é entender e assumir que o futebol mundial mudou, que não é possível mais vencer grandes campeonatos com o mesmo futebol e a mesma tática de 20,30 anos atrás. Assim como apenas o talento não basta mais.

Existem exemplos brilhantes espalhados pelo futebol mundial. Os melhores são Bastian Schweinsteiger, Andrea Pirlo, Xavi, Toni Kroos, Steven Gerrard, entre outros como Paul Pogba, Blaise Matuidi, Arturo Vidal, Yohan Cabaye.

Os casos citados trazem alguns atletas que começaram a carreira como meias-armadores e foram recuados e outros que eram rotulados como volantes e deixaram aquela imagem de 'desarmadores' para trás há muito tempo. Tendência que surgiu há cerca de dez anos. Hoje, são todos meio-campistas.

Entre os brasileiros, há realmente uma carência de atletas com as características necessárias para tal. Hernanes é o primeiro nome que me vem à mente. Paulinho, Ramires e Fernandinho são outros casos, mas ainda longe do ideal para a posição.

Ainda no futebol brasileiro, temos um bom exemplo, só que vindo de fora: Charles Aránguiz. No mais, no Brasileirão, é difícil encontrar atletas que tenham um papel de meio-campistas na equipe - culpa dos treinadores, já que há qualidade para isso. Podemos citar Elias, pelas características e também pelo início de carreira como meia, mas não tanto pelo seu papel tático - até pela presença de Ralf ao seu lado.

Para termos meio-campistas como o mundo mostra necessário, é preciso entendermos a evolução tática do futebol. Deixarmos de lado velhos paradigmas do futebol tupiniquim.

'Com esse meio-campo quem vai marcar?', 'Precisa de um cabeça de área', 'Para marcar é preciso ter volantes' são algumas frases comuns nesse debate. Toda mudança gera resistência, e é essa resistência que precisamos combater.

É possível jogar um futebol de qualidade. É possível ser eficiente e vistoso, vencer e jogar bonito. Não são fatores opostos.

Essa cobrança precisa ser feita sobre os grandes clubes brasileiros. É inadmissível que um time como o Corinthians, com a qualidade que tem, se contente com um futebol apenas de resultados.

Não vou cobrar da Chapecoense uma postura como essa. Não podemos tapar o sol com a peneira também, achar que todos os 20 times da primeira divisão nacional têm material humano para jogar assim. Como já escrevi, é algo que teria que passar pela base, para todo time poder 'pescar' talentos com essas características.

Enquanto isso não acontece, temos que focar em cima dos times milionários, que têm potencial para ajudar no resgate do futebol brasileiro.

Além do mais, a ausência desse meio-campista moderno no nosso futebol é, também, reflexo do nosso atraso. O 7 a 1 não foi apenas um apagão.

(Resumo de um texto de Gustavo Hofman/ESPN)

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