Wesley Fiel
Humildade, Corinthians
Por Nayara Perone, do Corintiá
14 de maio de 2015,18:50
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Talvez a frase mais nojenta que eu já tenha ouvido em todos os anos que acompanho futebol tenha sido a que foi desferia pelo Paulo Nunes, na época jogador do Palmeiras, que havia acabado de perder o Paulistão em 1999 e ser protagonista de cenas lamentáveis com Edílson Capetinha e grande elenco. Ao sair do gramado, ele disse a um repórter: 'Eles que fiquem com o Paulistinha deles, nós temos a Libertadores'.
Aquela frase nunca fez sentido na minha cabeça. Como poderia estar triste por ter ganhado um título. Por que ele teria menos peso? Era um título, pois. E ganho em cima de um rival.
Então em 2015, o pior legado que poderia permear o Corinthians ocorreu. Jogadores desdenhando de campeonatos, time reserva em um derby que valia vaga em uma final, perder clássico para escolher adversário, tudo do que eu poderia imaginar de pior ocorreu. Um pesadelo sem fim ver meu próprio time repetindo absurdos dos outros.
E claro, não parou por aí. Bem além das especulações acerca de atraso de pagamentos aos atletas, o futebol apresentado pelo Corinthians já estava abaixo do esperado. Não foi uma entrevista, uma análise tática que derrubou a invencibilidade. É nítido que fomos ao Paraguai com uma soberba ímpar. Não existe espaço para soberba no Corinthians.
Diante de uma torcida apática, comedida, ritmada pelo resultado em campo e não mais aquela que outrora era quem ditava o ritmo da partida, o Corinthians fez o possível e o impossível para perder. O resultado saiu barato, convenhamos. 1x0 foi pouco. E é o que merecemos.
Perder foi um alento num mar de falsas alegrias. O corinthiano que se sentia feliz por uma invencibilidade em casa, mesmo tendo sido eliminado pelo maior rival. Que dizia aos outros que tudo bem sair de um campeonato em detrimento de outro maior. Que se regojizava por estar ainda na competição, dentre outras aberrações que tive o desprazer de ver, esse não deve entender o que é Corinthians.
Por vezes é bom se ver despido de todo esse 'ouro'. Sem invencibilidade, sem craques que jogam mais com o nome do passado que o futebol do presente, sem a presença de torcedores fracos e covardes, que não se envergonham de sair do estádio em pleno segundo tempo, sem as vozes mudas que não fazem diferença alguma, talvez retomemos as rédeas para um futuro duro, mas com a alma do Corinthians.
Que frequentemos a arena para ver o Corinthians jogar, e não ganhar. Que não esqueçamos que ser Corinthians é, acima de tudo, um estado de espírito. E que nos livremos logo de todo o 'glamour' jogado sobre o time. Raça, Timão!
em Bate-Papo da Torcida > Será se nos faltou humildade mesmo?