Carlos Filho
A visita do cônsul dos Emirados Árabes Unidos ao Corinthians pode até ter sido institucional. Mas, no Corinthians atual, ninguém é obrigado a acreditar cegamente em dirigente.
O clube vive uma crise financeira brutal, discute SAFiel, acumula dívidas, sofre pressão política e vê crescerem rumores sobre possível investidor estrangeiro. Nesse cenário, qualquer aproximação com grupos ligados ao mundo árabe precisa ser explicada com absoluta transparência.
O problema não é receber autoridade estrangeira. O problema é a diretoria achar que pode tratar o futuro do Corinthians em conversas reservadas, sem dar satisfação à Fiel.
Osmar Stabile e os dirigentes precisam entender uma coisa: o Corinthians não é propriedade de presidente, conselheiro ou grupo político. O Corinthians não pode ser colocado na mesa como ativo negociável por meia dúzia de pessoas que ajudaram a afundar o clube em dívidas.
Se existe apenas visita institucional, que digam claramente.
Se existe possibilidade de parceria comercial, que apresentem os termos.
Se existe conversa sobre investimento, que revelem quem são os interessados.
Se existe qualquer articulação para SAF ou venda futura do futebol, a torcida precisa saber agora.
O que não dá é para a Fiel descobrir tudo por boato, vazamento, fórum, canal independente ou nota solta na imprensa.
A história recente do Corinthians exige desconfiança. Foram anos de gestões ruins, promessas vazias, contratos mal explicados, dívidas crescendo e decisões tomadas longe da torcida. Agora, quando aparece uma agenda com representantes dos Emirados em meio ao debate sobre SAF, é natural que a torcida cobre explicações.
E deve cobrar mesmo.
Porque vender, fatiar ou transformar o Corinthians em SAF não é decisão de gabinete. É uma decisão histórica. Mexe com o controle do futebol, com o patrimônio, com a identidade do clube e com o futuro da instituição.
A diretoria precisa parar de tratar transparência como favor. Transparência é obrigação.
Hoje, não há prova pública de fundo árabe comprando o Corinthians. Mas também não há mais espaço para silêncio, meia resposta ou conversa escondida. O Corinthians está grande demais para ser administrado como negócio particular de dirigente pequeno.
A Fiel não pode aceitar que a crise financeira vire desculpa para uma possível entrega do clube sem debate amplo, documentos públicos, auditoria, parecer jurídico e consulta real aos associados.
O Corinthians precisa de solução. Mas solução sem transparência é armadilha.
E se alguém estiver se articulando para vender o futuro do clube nos bastidores, a torcida precisa reagir antes que seja tarde.
em Bate-Papo da Torcida > Corinthians não pode ser vendido por articulação de bastidor










