Zebedeus
A sociedade brasileira é baseada na inveja. Não existe aqui aquilo que Aristóteles chamava de 'philia', aquele misto de empatia e solidariedade profundas que somente sociedades etnicamente homogêneas podem ter, por isto brasileiro não suporta brasileiro por ser brasileiro e tem que ter algum motivo extra para fazê-lo: afinidade político-ideológica, participação em um mesmo grupo de referência ou, no caso do futebol, o fato de jogar na Europa, que serve como símbolo de qualidade superior mesmo quando esta coisa não existe de fato. É isto o que faz com que os palpiteiros de internet prefiram Igor Thiago a Pedro Queixada, por exemplo.
Não existe nenhum jogador brasileiro a atuar na Europa que seja indispensável à Seleção, nenhum único; são todos jogadores de clube, coadjuvantes que brilham em companhia de jogadores estrangeiros muito mais qualificados, mas que, juntos, são como crianças assustadas longe do alcance de seus pais. A Espanha, uma seleção de geração Z, mostrou ao ganhar a Copa do Mundo que a disciplina tática coletiva pode compensar eventuais deficiências individuais. Os atacantes espanhóis, com exceção a Yamal, não são grande coisa, mas foi do mais desengonçado deles que saiu o gol do título.
Não adianta esperar que por mágica o futebol volte a ser a maravilha que era antes do tiki-taka e do Guardiola porque não vai voltar e dificilmente voltaremos a ver jogadores geniais daqui para frente, ainda mais numa época de guerra de extermínio contra a inteligência e a liberdade interior humanas. Não espero que essa inveja de caranguejo no balde acabe, mas Ancelotti terá de usar o que temos aí, muitos jogadores do BR, e criar um sistema em que eles rendam o máximo possível, mesmo que este máximo possível signifique apenas passar das oitavas em 2030.
em Bate-Papo da Torcida > Brasil não dá chance ao "Se"
Em resposta ao tópico:
O quê falam do Yuri Alberto aqui, falavam do Fernan Torres lá na Europa. Jogador irregular, mediano, não serve pra vestir a camisa desse clube, limitado, erra muitos gols e a história termina com ele sendo o herói do título da Espanha, onde de 22 finalizações da Espanha, as do gol foram dele. Morata é o mesmo caso, pra muitos é limitado, banheira, erra gols fáceis, rei dos impedimentos, mesmo assim não deixou de ter sua utilidade lá na seleção da Espanha. Rayan que fez uma boa Copa jogou exclusivamente pra ajudar a marcar, Endrick não começava como titular justamente por não ajudar na recomposição,
Cunha que estava indo bem nos gols e criando oportunidades, perdia sua utilidade no ataque por desperdiçar o gás ajudando na marcação e na pressão aos zagueiros. Gols e assistências difícil arriscar que ele ajudaria, porém nesse critério do Ancelotti de fazer o trabalho sujo, correndo pelo time inteiro pros caras se preocuparem apenas com o principal, sabemos que ele tinha capacidade de exercer esse papel.
'Ser convocado só por isso? ' Na parte dos atacantes já tá explicado, o próprio Casemiro que é volante falhou nessa função na Copa e Danilo que foi convocado somente pros discursos, Martinelli jogando como ponta fez justamente ôque ele deveria ter feito na lateral. Falamos de bagres porém Vini Jr nas eliminatórias se comportou exatamente como um, Igor Vinicius errou diversos gols que era justamente do jogo dele. Gabriel Jesus não serviu de nada na Copa de 2018, só não temos essa paciência com jogadores daqui.
