Valerio Pinheiro
Muita conversa sobre o que pode acontecer e pouca conversa sobre o que está acontecendo. Não sabemos se a Recuperação Judicial é a solução, se SAFiel é a solução ou mesmo se uma intervenção judicial pode ser a solução ao abrir caminho para a as outras duas. O que sabemos é que da forma como está, o clube irá fechar as portas. Não adianta ter medo de tentar algo novo nesse momento. Não é uma questão de escolha. Não temos mais margem para reestruturar o clube no modelo associativo.
Dito isto, tem que entender que a intervenção judicial é um meio para obter a recuperação judicial ou a safiel. Por isso o assunto é sim interligado e não totalmente dissociado como você imagina. O presidente do clube hoje não vai aderir a uma recuperação pq a maioria dos credores são conselheiros, ainda que através de empresa de fachada. Eles não querem levar calote. Da mesma forma, jamais vão querer abrir mão de gerir o Corinthians e aderir a uma sociedade nos termos da Safiel. Apenas um administrador judicial poderia fazer isso.
em Bate-Papo da Torcida > Recuperação judicial seria realmente um caminho para o Corinthians?
Em resposta ao tópico:
Tenho visto muitos torcedores defenderem a recuperação judicial como uma possível saída para a crise financeira do Corinthians. A intervenção judicial também aparece com frequência nas discussões, embora sejam mecanismos completamente diferentes.
Fui tentar entender melhor como uma recuperação judicial funcionaria no caso do clube. Pelo que compreendi, ela poderia ajudar a organizar parte das dívidas, reunir credores, reduzir determinadas execuções e permitir a negociação de juros, prazos, carências e até descontos.
Por outro lado, não seria uma solução automática.
Nem todo o passivo entraria no processo, as dívidas tributárias continuariam seguindo regras próprias e os transfer bans não seriam necessariamente retirados. Além disso, o Corinthians precisaria continuar pagando salários, impostos, fornecedores e todas as novas obrigações enquanto tenta resolver as dívidas antigas.
Ou seja, a recuperação judicial poderia reorganizar o passado, mas não resolveria o presente se o clube continuasse gastando mais do que arrecada.
Também existe um risco importante: o plano precisaria ser aprovado e cumprido durante vários anos. Caso contrário, o processo poderia aumentar ainda mais os problemas jurídicos e financeiros da instituição.
Depois de ler sobre o assunto, fiquei com uma pergunta que talvez seja mais importante do que saber se o Corinthians pode entrar em recuperação judicial:
O clube teria capacidade política, administrativa e financeira para cumprir durante vários anos um plano rígido de redução de despesas, geração de receitas e pagamento de credores?
A matéria abaixo explica como o processo funciona, as diferenças em relação à intervenção judicial, os benefícios, os riscos e o exemplo da Chapecoense:
Na opinião de vocês, a recuperação judicial poderia ser um caminho real para a reconstrução do Corinthians ou apenas adiaria uma crise que também passa pela forma como o clube é administrado?
Foto: Gustavo Lima / Meu Timão
