Gumercindo Aguiar
Fora tudo isso, tem também a falta de critério da própria CBFLA ao convocar seus representantes, Fabio identificado principalmente com o Cruzeiro nunca teve oportunidade, Ganso em 2010 e 2014 não teve oportunidade, Yuri Alberto não teve oportunidade nem sequer em amistosos em 2025 ou 2026 mesmo tendo sido artilheiro do país em 2024 e tendo conquistado 3 títulos pelo Corinthians que é um time global, você pontuou tudo muito bem, a falta de identificação que existe com jogadores que saem cedo do Brasil e são tratados como 'craques' coisa que não são fazem muitas crianças e jovens serem ludibriados por jogadores que não são isso tudo, não tem liderança dentro de campo e dividem a responsabilidade com jogadores de extrema qualidade técnica, tática e física, uma coisa é jogar com Modric, Tony Cross, Cucurela, Rabiot, Olise etc etc etc e outra coisa é chegar na seleção e serem esses jogadores que seguram o rojão e representarem bem a camisa, por incrível que pareça os jogadores mais preparados psicologicamente na minha opinião são justamente os que jogam aqui no Brasil com uma cobrança absurda jogo após jogo, no Brasil um dia você serve e no outro não serve mais, na Europa a filosofia deles é mais de longevidade no trabalho, e Copa do Mundo é tiro curto, não dá tempo de errar, olha o migué que estão dando ai em relação ao Raphinha pra não queimar o jogador.
em Bate-Papo da Torcida > Vou fazer textão...sim
Em resposta ao tópico:
Então senta ai amigo e vamos falar de seleção CBF. A maior crise da Seleção Brasileira não é técnica, mas identitária. Durante décadas, vestir a camisa amarela significava representar uma maneira única de compreender o futebol. O Brasil não era admirado apenas porque vencia; era admirado porque jogava de uma forma que expressava sua cultura, sua criatividade e sua capacidade de transformar improviso em arte. O resultado era importante, mas o caminho percorrido até ele também possuía significado.
Nas últimas décadas, porém, essa identidade foi se tornando cada vez mais difusa. Em busca de competitividade, o futebol brasileiro passou a importar modelos estrangeiros, métodos e filosofias desenvolvidos em outras realidades culturais. Embora a evolução tática seja necessária, o processo acabou gerando uma espécie de conflito existencial: a Seleção já não sabe claramente o que representa. Entre a tradição do futebol criativo e a busca pela eficiência absoluta, perdeu-se parte da essência que fazia o Brasil ser reconhecido instantaneamente dentro de campo.
A crise da Seleção Brasileira também passa por uma crise identitária dos próprios jogadores. Diferentemente de gerações anteriores, muitos atletas deixam o Brasil ainda muito jovens e constroem praticamente toda a sua carreira no exterior. Com isso, embora evoluam tecnicamente, acabam se distanciando das referências culturais e futebolísticas que historicamente formaram a identidade da Seleção.
Além disso, o futebol moderno transformou o atleta em uma marca global, cercada por contratos, patrocinadores e redes sociais. Em alguns momentos, a carreira individual parece ganhar mais destaque do que o sentimento de pertencimento à Seleção E AO POVO. O resultado é uma equipe formada por jogadores, mas que nem sempre transmite a mesma conexão, liderança e senso de missão observados em gerações anteriores.
Por fim e talvez o mais profundo problema da atual Seleção Brasileira seja a gradual perda do sentimento de representar uma nação. Em outras épocas, vestir a camisa amarela significava carregar a história, os sonhos e a identidade de milhões de brasileiros. Hoje, em um futebol cada vez mais globalizado e comercial, muitos jogadores passam grande parte de suas carreiras longe do país e acabam desenvolvendo uma conexão mais forte com seus clubes do que com a própria Seleção.
Não se trata de falta de patriotismo, mas de pertencimento. Quando a camisa da Seleção deixa de ser vista como um símbolo e passa a ser encarada apenas como mais um compromisso profissional, perde-se algo que nenhuma tática ou talento individual pode substituir: o orgulho de representar um povo. E talvez seja justamente nesse vazio de significado que esteja uma das raízes da crise vivida pelo futebol brasileiro.