Matador Porco
Chega a ser cômico.
Durante meses, parte da política do Corinthians tentou convencer a torcida de que o grande problema do clube era Memphis Depay. Que o jogador estava 'acabando com o Corinthians'. Que o salário dele era o símbolo de tudo o que havia de errado na instituição.
Mas enquanto os holofotes eram direcionados para um atleta contratado pela própria diretoria, o clube afundava em problemas muito mais profundos.
A dívida se aproxima da marca de R$ 3 bilhões. Salários voltaram a atrasar. Investigações e denúncias passaram a ocupar mais espaço que o futebol. O vice-presidente acabou pedindo afastamento do cargo em meio à turbulência política e às apurações que envolvem seu nome. Ao mesmo tempo, surgem questionamentos sobre contratos, empresas e decisões tomadas pela atual administração.
E tudo isso enquanto alguns insistem em apontar para dentro das quatro linhas.
A crise atual não nasceu com Memphis Depay. Ela é consequência de anos de administrações problemáticas, de decisões questionáveis e de uma política que parece viver em guerra permanente consigo mesma.
O capítulo mais recente começou com a gestão Augusto Melo, com toda a polêmica envolvendo o contrato da Vai de Bet, mas seria ingenuidade fingir que a história começou ali. O Corinthians chegou a este ponto após décadas de erros acumulados, grupos políticos disputando poder e contas que nunca fecham.
Por isso a pergunta continua a mesma:
Quem realmente está acabando com o Corinthians?
O jogador que entra em campo? Ou os dirigentes que entram e saem do clube deixando dívidas maiores, mais conflitos e mais desconfiança do que encontraram?
No fim, presidentes passam. Vices passam. Conselheiros passam. Jogadores passam.
Mas a conta fica.
E essa conta não será paga por Augusto Melo, Rubão, Stabile, Andrés ou qualquer outro grupo político sozinho. Quem sempre acaba pagando é o Corinthians e sua torcida.
Salve não! Salvem o Corinthians.

