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Post de Tiago Almeidauciid no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão

Quer sair, saia, mas pague a multa ou que vá por um valor bom para o Clube. É assim que funciona quando o Corinthians quer comprar algum jogador que interessa a ele. O que não dá para aceitar é jogador vir querer desvalorizar a si mesmo e o ativo do clube, para facilitar transação. Se pega uma diretoria séria e um clube em condições melhores esse tiro sai pela culatra, mas na bagunça que é o Corinthians ele viu que poderia meter o loco, e foi isso que ele fez, foi tudo pensado, só esperou marcar um gol.

em Bate-Papo da Torcida > Yuri Alberto errou feio! E a diretoria do Corinthians precisa se...

Em resposta ao tópico:

Eu vou ser bem direto: Yuri Alberto tinha todo o direito de querer sair do Corinthians.

Jogador tem carreira curta, tem ambição, tem família, tem empresário, tem mercado e pode, sim, desejar um novo desafio.

O problema não é querer sair.

O problema é falar isso publicamente, no meio da temporada, com contrato longo, com o clube disputando competições importantes e com o Corinthians precisando vender bem.

Na minha visão, a declaração foi péssima.

Não apenas pelo impacto no vestiário ou na torcida, mas principalmente pelo prejuízo negocial. Quando o próprio jogador vai para a zona mista e diz que quer buscar “um novo desafio”, ele entrega ao mercado uma mensagem perigosa: “eu quero sair” . E quando o mercado percebe isso, os clubes interessados não chegam mais com proposta forte. Eles chegam para testar o Corinthians.

É assim que funciona.

O comprador olha e pensa: “se o jogador já quer sair, o Corinthians está pressionado” .

A partir daí, começam as propostas parceladas, os bônus difíceis, os valores abaixo do que o clube queria, a conversa de “o atleta quer vir” e toda aquela novela que o corintiano já conhece bem.

O Corinthians, que já tem histórico de negociar mal, não pode permitir que um dos seus principais ativos se desvalorize pela boca do próprio jogador.

E aqui está o ponto central: o Corinthians não está em condição de brincar de liquidação.

O clube tem dívida bruta na casa de R$ 2,723 bilhões , considerando clube e financiamento da Neo Química Arena, segundo balanço aprovado no Conselho. Com uma dívida desse tamanho, cada venda precisa ser tratada como operação estratégica. Não dá para vender pressionado. Não dá para vender no desespero. E muito menos dá para aceitar que o jogador coloque o clube nessa posição publicamente.

O mais grave é que o Corinthians já recusou propostas importantes por Yuri Alberto.

Em agosto de 2025, recusou 30 milhões de euros , cerca de R$ 190 milhões , da Roma. Em janeiro de 2026, recusou também uma oferta do Fenerbahçe de 18 milhões de euros , cerca de R$ 112 milhões , sendo 15 milhões fixos e 3 milhões em metas.

Então eu pergunto: depois de recusar valores altos, o clube vai aceitar agora uma proposta menor porque o jogador resolveu anunciar que quer sair? Seria um absurdo administrativo.

O Corinthians precisa aprender com a própria história.

Esse clube já gastou caro demais e vendeu mal demais para continuar tratando mercado como improviso. Alexandre Pato chegou por 15 milhões de euros , cerca de R$ 40,5 milhões à época , uma das contratações mais caras da história do clube. Luan veio por 5 milhões de euros , cerca de R$ 22,85 milhões, por apenas 50% dos direitos econômicos . Foram apostas caras, pesadas e que não entregaram retorno proporcional dentro de campo nem no caixa.

Do outro lado, quando vende, o Corinthians frequentemente se vê em negociações cheias de remendos, antecipações, percentuais, comissões e perda de poder.

O caso Pedrinho é simbólico: a venda ao Benfica foi fechada por 20 milhões de euros , mas depois o clube aceitou abrir mão de parte da diferença cambial para consolidar a transferência, e ainda houve estrutura de recebimento que envolvia antecipação financeira.

O problema não é uma venda específica.

O problema é o padrão: o Corinthians raramente vende como gigante. Muitas vezes vende como quem precisa apagar incêndio.

Enquanto isso, Flamengo e Palmeiras entenderam o jogo.

E aqui dói falar, mas precisa ser dito: eles se comportam como clubes que protegem seus ativos.

O Flamengo vendeu Vinicius Junior por 45 milhões de euros ao Real Madrid , Paquetá por 35 milhões de euros ao Milan , Reinier por 30 milhões de euros ao Real Madrid e João Gomes por 18,7 milhões de euros ao Wolverhampton , ainda mantendo percentual de venda futura em alguns casos.

O Palmeiras, por sua vez, transformou sua base numa máquina de gerar receita: Estêvão por até 61,5 milhões de euros , Endrick por até 60 milhões de euros , Luis Guilherme por 30 milhões de euros , além de outras vendas relevantes.

A diferença não é só ter jogador bom.

O Corinthians também teve e tem jogador bom.

A diferença é postura institucional.

Flamengo e Palmeiras podem errar, claro, mas normalmente entram na mesa de negociação com força, com planejamento, com contrato valorizado e com discurso público controlado. Não se vê, com a mesma frequência, jogador importante desses clubes indo a público dizer que quer sair no meio da temporada, praticamente avisando ao mercado que está disponível. E, quando existe ruído, a diretoria costuma se impor.

No Corinthians, parece que tudo vira novela.

O jogador fala, o empresário fala, a diretoria demora, a torcida especula, o mercado percebe fragilidade e o clube perde força. Isso não pode continuar. Yuri Alberto tem contrato até 2030 e multa alta .

Se quer sair, tudo bem.

Mas saída se resolve internamente, com proposta oficial, valor mínimo definido, prazo e condições claras. Não em entrevista com tom de despedida.

Eu não estou dizendo que Yuri Alberto não teve importância. Teve. Fez gols, decidiu jogos, suportou críticas e construiu uma relação real com parte da torcida. Mas gratidão não pode virar submissão. O Corinthians é maior que qualquer jogador. E justamente por ser maior, precisa agir como clube grande.

A diretoria precisa se posicionar imediatamente com três mensagens claras:

Primeiro: Yuri Alberto só sai pelo valor definido pelo Corinthians, sem desconto por pressão pública.

Segundo: qualquer clube interessado precisa apresentar proposta formal, com valor fixo relevante, poucas metas e condição de pagamento favorável ao Corinthians.

Terceiro: enquanto vestir a camisa, o jogador precisa estar 100% comprometido com o clube, com o grupo e com a temporada.

Se a proposta for excelente, vende.

Futebol também é negócio.

Mas se for proposta oportunista, parcelada, cheia de bônus e abaixo do valor real, a resposta tem que ser simples: não.

O Corinthians não pode mais ser o clube que compra caro, vende mal e depois pede paciência para a torcida.

Não pode mais assistir seus ativos se desvalorizarem em praça pública. Yuri Alberto errou na fala.

Agora cabe à diretoria mostrar se o Corinthians aprendeu alguma coisa com seus próprios erros — ou se vai repetir o mesmo roteiro de sempre.

#INTERVENCAOJUDICIALJA

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