Carlos Nunes
Hoje escrevo não como um crítico, mas como alguém que ama profundamente este clube. Ser corinthiano nunca foi sobre viver apenas de vitórias, mas sobre carregar um sentimento que pulsa no peito em qualquer circunstância. E é justamente por amar tanto que dói ver o momento que estamos vivendo.
O Corinthians sempre foi sinônimo de luta, raça e entrega. Era o time que podia até perder, mas jamais deixava de honrar a camisa. Hoje, o que mais machuca não é só o resultado dentro de campo, mas a falta de identidade, de alma, de conexão com aquilo que sempre nos fez diferentes.
Mas também não dá mais pra fingir que o problema está só dentro de campo. A verdade precisa ser dita: aqueles que governaram o clube nos últimos 15 anos, em sua grande maioria, não cuidaram do Corinthians como deveriam. Sugaram, enfraqueceram, deixaram dívidas, desmontaram estruturas e afastaram o clube da sua essência. Quem ama o Corinthians sente isso.
Nós, torcedores, continuamos aqui. Sempre estivemos. Na chuva, no sofrimento, nas filas, nos títulos e também nas derrotas. Mas o que está faltando dentro de campo é exatamente isso: o espírito de quem entende o peso dessa camisa.
Não é só sobre ganhar. É sobre competir, sobre lutar cada bola como se fosse a última, sobre olhar para o escudo e lembrar que milhões de pessoas vivem isso de verdade. O Corinthians nunca foi só um clube — é uma nação, é resistência, é coração.
A tristeza hoje é grande, mas o amor continua maior. Só que amor também cobra, também exige. Queremos ver de volta o time que representava a gente, que suava, que brigava, que fazia a gente se orgulhar independentemente do placar.
Ainda acreditamos. Sempre vamos acreditar. Mas está na hora de quem está lá dentro entender que aqui fora tem uma torcida que não desiste — e que merece respeito, entrega e, acima de tudo, um Corinthians de verdade.
Com dor, indignação, mas com amor eterno.
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