Ednilson Valia
Naquela tarde de domingo, a Neo Química Arena não era um estádio, mas um imenso confessionário de culpas não perdoadas. O Corinthians, esse gigante que caminha com o peso do mundo nos ombros, sucumbiu diante de um Internacional que não precisou de épica, mas apenas do pragmatismo gelado de um carrasco de aluguel. O 1 a 0, gol de Bernabei, foi o epitáfio de uma agonia que já durava nove jogos.
Dorival Júnior, o homem que ontem mesmo erguia a Copa do Brasil e a Supercopa, descobriu que, no futebol brasileiro, a glória é uma vizinha ingrata da demissão. Ele caiu porque o Corinthians não aceita a melancolia. A derrota para o Colorado foi a gota que transbordou o cálice da paciência alvinegra. Dorival saiu com a dignidade dos derrotados, mas sob o coro das vaias que não perdoam nem o santo, nem o mestre.
E agora? O corinthiano não quer um técnico, quer um messias. O perfil do próximo ocupante desse trono de espinhos precisa ser o de um homem que entenda que Itaquera exige mais do que tática; exige uma entrega quase religiosa. Busca-se alguém que tenha o 'sangue no olho' das arquibancadas, um estrategista que não tema o abismo e que saiba que, no Parque Jorge, a razão sempre perde por goleada para a paixão.
O próximo comandante deve ser um desses sujeitos capazes de domar a fúria das massas com um gesto, alguém que transforme o suor em epopeia. O Corinthians não busca um gestor de RH, mas um condutor de almas que devolva ao time a soberba de quem nasceu para ser campeão, mesmo quando o destino conspira nas sombras. A cadeira está vazia, e o abismo, logo ali, observa com olhos de fome.
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