Sérgio Libanori
Ótimo tópico. É sempre bom ler sobre a história do nosso clube do coração. Go Corinthians, quer dizer, Vai, Corinthians! Kkk
em Bate-Papo da Torcida > O nascimento do Corinthians (4/7) - A fundação do maior clube do...
Em resposta ao tópico:
Os cinco rapazes que estavam à frente da organização do novo time provavelmente não puderam ir aos dois primeiros jogos do Corinthian, mas talvez tenham assistido à noite, no Teatro Radium, a fita com os melhores lances das partidas que foram filmadas por uma equipe do teatro. As sessões foram noticiadas na seção “variedades” do jornal O Estado de São Paulo. Algumas fontes citam o então famoso Cine Teatro Bijou na Rua São João, mas não há nenhuma documentação a respeito.
No dia seguinte ao primeiro jogo, em 1° de Setembro de 1910, eles e muitas outras pessoas foram até a barbearia de Salvador Bataglia iniciar a reunião marcada para as 20h. Surpreendentemente ela estava fechada, pois naquela noite Salvador não se sentiu bem. O grupo caminhou então até a esquina da Rua dos Imigrantes (atual Rua José Paulino) com a Rua Cônego Martins, onde ficava a Confeitaria Desidério, ponto de encontro tradicional do bairro. Como também estava fechada naquele horário, foi sob a luz dos lampiões, e de velas compradas de improviso, que se iniciou a reunião que fundaria a maior paixão futebolística do Brasil.
Eram sete italianos, cinco portugueses e três brasileiros os primeiros sócios. Além dos oito já citados, assinaram e contribuíram para o nascimento do clube: o alfaiate Antônio Alves Nunes, o pintor de paredes César Nunes, o macarroneiro Salvador Lopomo, o funcionário da SP Railway Jorge Campbell, Antônio Vizzone e Emílio Lotito. Além deles, se destacou o torneiro da SP Railway, João Morino, que segundo as lendas cedeu sua palheta (pequeno chapéu de palha com textura rígida, muito popular nas primeiras décadas do século XX) ou para servir de apoio às velas, ou para ter a parte de cima dela retirada para servir como papel da primeira ata.
No domingo, dia 4, o povo que trabalhava na ferrovia e os trabalhadores em geral puderam ir ao campo assistir ao Corinthian fazer sua última partida no Brasil, e viram a goleada de 8 a 2 que impressionou a todos.
É importante mencionar que foi a imprensa paulistana que começou a chamar o time inglês de Corinthians. Era de conhecimento que quando o clube jogava seus torcedores gritavam: “Go, Corinthian!”. Desse modo a imprensa achou por bem supor que esse termo era o qualitativo do jogador e passou a publicar: “Corinthians Team”, ou, por exemplo: “... Festa esportiva dos Corinthians contra os brasileiros”. Popularizando assim o nome com o s no final.
Em 5 de Setembro ocorreu a segunda reunião, esta na casa de Miguel Bataglia. Nessa ocasião se deu a definição do nome, proposto por Joaquim Ambrósio. As primeiras opções eram os nomes Santos Dumont e Carlos Gomes. Também são citados os nomes Guarany e Halley. Em determinado momento Ambrósio pediu a palavra e usou como argumentos a categoria futebolística do team, as goleadas aplicadas, o cavalheirismo dos jogadores, e o fato do time inglês também ter sido fundado à luz de um lampião de gás. Foi ovacionado, e exceto por Antônio Pereira conquistou a simpatia de todos os presentes e foi ovacionado. Pereira havia sugerido o nome do imortal compositor da ópera O Guarany, dentre outras, Carlos Gomes. Além do nome se definiram as cores do uniforme do time, que seriam iguais às do time inglês que os havia impressionado tão bem. Algumas fontes citam ser esse uniforme bege, mas o Corinthian sempre jogou com camisas brancas, e calções e meiões azuis escuros. A reunião definiu também como sede a confeitaria de Antônio Desidério, que ficava à Rua dos Imigrantes 34, na esquina onde o povo havia se reunido. Nessa reunião Miguel Bataglia proferiu uma frase que ficaria para a eternidade: “O Corinthians será o time do povo, e o povo é quem vai fazer o time”.
Estava oficialmente criado o Sport Club Corinthians Paulista, e sua data de fundação foi retroagida para o dia 1º, daquela noite à luz dos lampiões. Na lista dos primeiros sócio fundadores passou a constar ainda os nomes de Miguel Sotille, Alfredo Teixeira, Aristides de Oliveira, João da Silva e Felipe Aversa Valente, este que viria a ser o primeiro goleiro do esquadrão.
A primeira diretoria foi escolhida a dedo. Os mais capazes foram indicados para os cargos, pois o clube não nascia sob o signo da vaidade individual, e sim pela união de gente trabalhadora, disposta a ajudar a agremiação independente de cargo ou posição. A diretoria foi formada por: Miguel Bataglia na presidência, Magnani como vice; Campbell como tesoureiro, Valente como procurador e Morino como cobrador. João da Silva, Antônio Nunes e Carlos da Silva foram os primeiros diretores. Salvador Lopomo também é citado por algumas fontes como diretor. Um ou dois meses após tomar posse como presidente, Miguel Bataglia mudou-se para o interior, e quem assumiu em seu lugar foi Alexandre Magnani. Tido como grande conhecedor do futebol ficaria por três anos de mandato e mais um ano por aclamação.
A notícia sobre a fundação do Corinthians foi publicada em 22 de Setembro de 1910, na coluna Os Sports do jornal O Commércio de S.Paulo, e saiu como nota: “Sport Club Corinthians Paulista – Com a denominação supra, fundou-se nesta capital, mais uma sociedade sportiva, com o fim de desenvolver o conhecido e apreciado sport bretão. A sua primeira directoria ficou assim constituída: presidente, Miguel Bataglia; vice-presidente, Alexandre Magnani; primeiro secretário, Antônio A. Nunes; segundo secretário, João Spina; primeiro thesoureiro, João da Silva; segundo thesoureiro, Salvador Lopomo; captain, Raphael Perrone; primeiro fiscal, Joaquim Fernandes; segundo fiscal Anselmo Correia; procurador, Felipe Valente.”
No jornal O Estado de São Paulo a nota foi replicada com a adição do endereço do campo: “ Com o nome de S. C. Corinthians Paulista fundou-se nesta capital mais uma sociedade sportiva, que tem seu ground installado à Rua Ribeiro de Lima, 3. A sua directoria está assim composta: presidente, Miguel Bataglia; vice-presidente, Alexandre Magnani; primeiro secretário, Antônio Nunes; segundo secretário, João Spina; primeiro thesoureiro, João da Silva; segundo thesoureiro, Salvador Lopomo; captain, Raphael Perrone; fiscal, Joaquim Fernandes; procurador, Felippe Valente.”
Tendo por base as notas dos jornais aparecem mais dois nomes relevantes para a fundação do clube: João Spina e Joaquim Fernandes. É possível que após a segunda reunião na qual a diretoria foi formada tenha havido alguma mudança. Totalizam-se assim 22 pessoas a escreverem o nome na histórica fundação do clube.







