Marlon Figueiredo
O Corinthians está sob investigação do Ministério Público de São Paulo após a constatação de que mais de R$ 3,4 milhões foram entregues em dinheiro em espécie ao ex-chefe de segurança do clube, João Odair de Souza, conhecido como “Caveira”, entre março de 2018 e dezembro de 2023.
Os repasses ocorreram durante as gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves. As movimentações constam em planilhas enviadas pelo próprio clube ao Ministério Público.
Após atualização monetária, o promotor Cássio Conserino estima que os valores possam ultrapassar R$ 7,3 milhões em termos corrigidos.
Justificativa apresentada pelo ex-funcionário
Em contato com a imprensa, João Odair confirmou que recebia os valores em espécie e afirmou que os recursos eram utilizados principalmente para custear a contratação de seguranças autônomos em jogos, eventos esportivos internos e situações extraordinárias, como protestos no Centro de Treinamento e no Parque São Jorge.
Segundo ele, parte dos profissionais contratados eram policiais militares em horário de folga, o que, de acordo com sua versão, inviabilizaria a emissão de notas fiscais. O ex-chefe de segurança também declarou que utilizava os valores para pequenas despesas operacionais e que prestava contas ao departamento financeiro do clube, sem ter sofrido questionamentos formais do Conselho Fiscal.
Pontos sob investigação
A apuração do Ministério Público concentra-se principalmente em:
Volume elevado de pagamentos em dinheiro vivo
Ausência de comprovação documental formal, como notas fiscais e recibos
Retiradas múltiplas em um mesmo dia
Saques de valores expressivos em operações únicas
O ex-funcionário já figura como investigado em um dos inquéritos instaurados, embora ainda não tenha sido ouvido formalmente.
A investigação teve origem após a revelação de outros gastos em espécie realizados na gestão anterior, incluindo valores repassados a ex-integrantes da administração. Há suspeita, segundo o Ministério Público, de que empresas de fachada possam ter sido utilizadas para justificar despesas e ocultar eventual desvio de recursos.
Próximos passos
Entre as medidas que podem ser adotadas pelo Ministério Público estão:
Convocação dos investigados para depoimento
Quebra de sigilo bancário e fiscal
Perícia contábil detalhada nas movimentações financeiras
Análise da responsabilidade administrativa e criminal dos envolvidos
Caso sejam identificados indícios suficientes de irregularidade, o órgão poderá oferecer denúncia à Justiça.
Possíveis consequências
Na esfera criminal, os fatos podem resultar, a depender da conclusão das investigações, em acusações por crimes como apropriação indébita, lavagem de dinheiro, associação criminosa ou gestão fraudulenta.
No âmbito cível, pode haver pedido de ressarcimento ao clube e eventual bloqueio de bens. Administrativamente, os envolvidos podem enfrentar restrições para exercer cargos de gestão esportiva.
O caso amplia o debate sobre governança e controle financeiro em entidades esportivas, especialmente no que se refere ao uso de dinheiro em espécie e à necessidade de transparência na prestação de contas. Até o momento, os ex-presidentes citados não se manifestaram publicamente sobre o conteúdo das investigações.
em Bate-Papo da Torcida > Corinthians repassou mais de R$ 3,4 milhões em espécie a ex-chefe da...




