Denys Veras
Estava refletindo sobre momentos de transição histórica e pensei em um paralelo interessante.
O último presidente do regime militar no Brasil, João Figueiredo, fazia parte da própria estrutura que sustentou o sistema por anos. Ainda assim, foi durante o mandato dele que o processo de abertura política avançou e o ciclo se encerrou.
Na União Soviética, Mikhail Gorbachev também era produto do próprio partido Comunista. Não era um outsider. Mas foi ele quem iniciou reformas profundas (Perestroika e Glasnost) que acabaram conduzindo à dissolução do modelo anterior.
Por que estou dizendo isso?
Porque às vezes o líder que encerra um ciclo não é o que começou o problema: é o que assume quando o sistema já está desgastado, pressionado e precisa inevitavelmente mudar.
Hoje, muitos questionam o fato de Osmar Stabile ter feito parte da estrutura anterior do clube. E é legítimo questionar. Mas a pergunta talvez precise ser mais profunda: Ele terá coragem de seguir mudando alguma coisa e colocar o seu nome em uma história positiva do clube?
O Corinthians está num ponto de inflexão institucional. Não é hora de idolatria cega nem de condenação automática. É hora de cobrar postura, responsabilidade e decisões concretas.
Porque quem assume em momento de crise carrega um peso maior: não apenas governar, mas redefinir o rumo.
E no fim, a história sempre julga quem teve coragem de conduzir a mudança… ou quem apenas tentou sobreviver ao cargo.
Eu não botaria a minha mão no fogo por ninguém do Corinthians, mas essas alterações que ele tem feito trazendo pessoas mais competentes para os cargos gerenciais dão esperança.
em Bate-Papo da Torcida > Os líderes que encerram ciclos. O Corinthians está nesse momento?









