Maicon Cardoso
Entre Augusto Melo e o grupo Renovação e Transparência, fico com Augusto Melo.
&Ldquo;Ah, mas existem outras opções.” Sim, existem. Mas é preciso reconhecer: quem teve coragem de romper com uma estrutura que dominava o clube por décadas foi ele. Augusto criou um racha, sim — mas um racha necessário. Um movimento que o Corinthians nunca tinha visto. Isso gerou ódio, desconforto e medo em quem sempre mandou. Mas foi também a primeira ruptura real com o sistema.
Agora, tentar derrubar um presidente eleito por 66,2% dos votos, com base em um inquérito ainda em andamento, é mais do que um erro — é um atentado contra a democracia interna do clube. Estão tratando o impeachment como ferramenta de conveniência, e isso destrói a instituição de forma irreparável.
Não há previsão legal, em nenhum ordenamento jurídico, que determine que o indiciamento de alguém automaticamente resulte na perda de cargo. Isso vale para o país e deveria valer para o Corinthians. O clube, no entanto, parece ignorar isso. Seu estatuto mais parece uma autocracia disfarçada de associação.
Estão atropelando processos, criando um ambiente de ódio, destruindo lideranças e legitimando uma forma de fazer política que lembra os momentos mais tristes da nossa história. Fizeram isso com dilma Rousseff — e olha quem está no poder hoje. No clube, o risco é o mesmo: tirar alguém no grito, e depois entregar o comando a quem está pronto para devolver tudo ao controle de sempre.
Se você acha que isso é o pior que pode acontecer, saiba que pode piorar.
Um clube sério faria oposição até o fim do mandato, apresentaria alternativas concretas, dissic no voto — e venceria com legitimidade. Mas o que estão fazendo é tentar vencer na força, na pressão, na narrativa — e com apoio de setores da mídia, como vessoni, ESPN e outros que, aos poucos, estão jogando sua credibilidade no ralo.
Todo pensamento hegemônico é sic. Quando todo mundo parece estar certo demais, é aí que mora o perigo. A sensação de unanimidade é confortável, mas não é crítica. E o Corinthians sempre foi maior do que isso. Sempre foi o time da democracia, da luta, da resistência.
Hoje, vemos uma reitoria fraca, uma oposição sem projeto e uma guerra de poder que fere não só um nome, mas toda a história de um clube gigante.
Ainda há tempo de refletir. Ainda há tempo de fazer diferente.
O Corinthians merece mais. Merece respeito. Merece democracia de verdade.
em Bate-Papo da Torcida > O que estão fazendo com o Corinthians?
