Maicon Cardoso
Vivemos a maior crise da história do Sport Club Corinthians Paulista. Não é só financeira. Não é só política. É uma crise total. Uma crise de identidade, de comando, de confiança.
O presidente Augusto Melo, eleito democraticamente, foi afastado por um processo ainda em andamento — sem qualquer sentença transitada em julgado, como prevê o próprio estatuto do clube. A legalidade foi ignorada em nome de uma conveniência política.
Romeu Tuma Jr, um nome antigo da política corinthiana, endossou o processo de impeachment mesmo com o apelo de conselheiros para que se aguardasse a apuração completa da Polícia Civil. Onde está o respeito à justiça e ao devido processo legal?
Figuras que faziam parte da base aliada, como Rosana Santoro, Pantaleão e outros, agora se posicionam como oposição. Mudanças de lado, alianças frágeis e interesses pessoais tomam conta do ambiente. A velha guarda, que por anos comandou o clube, parece não aceitar que seu ciclo terminou — e tenta se perpetuar a qualquer custo.
O resultado? Um lamaçal de desconfiança. Uma instituição sem credibilidade. Um clube sem rumo.
O Corinthians, o maior do Brasil em paixão e história, tornou-se também o mais politizado e o mais endividado. Um gigante ferido por dentro. E o mais grave: vivemos hoje um vácuo de liderança. Ninguém assume a responsabilidade. Ninguém representa, de fato, o espírito do Corinthians. E lideranças, sabemos, não se constroem do dia para a noite.
No lugar de líderes, temos aceclas. Gente que quer o cargo, não o peso do compromisso. Gente que briga por espaço, não pelo bem do clube.
Para onde estamos indo?
O Corinthians precisa parar. Respirar. Refletir. E decidir se continuará sendo sequestrado por interesses mesquinhos ou se vai resgatar sua essência: a do povo, da luta, da honestidade.
Essa crise é, sim, a maior da história. Mas também pode ser a última, se soubermos reagir agora.
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