Arthur Kurai
Concordo. Apesar de uma monarquia ser mais organizada que o Corinthians atualmente.
Está mais para uma oligarquia atualmente.
em Bate-Papo da Torcida > O dia em que nós selamos nosso próprio destino
Em resposta ao tópico:
Acompanho este fórum há anos, mas este é meu primeiro post — motivado não por entusiasmo, mas por profunda angústia. Escrevo apenas para registrar o dia em que, na minha visão, a própria torcida, manipulada e dividida, decretou o início da derrocada de uma das instituições mais importantes da minha vida.
É incompreensível que, diante de tudo o que foi exposto nos últimos anos, ainda não seja evidente para muitos que o clube (e aqui não me refiro a um personagem específico) sofreu um dos maiores golpes de sua história recente.
A gestão passada — que dominou o clube por mais de duas décadas — foi marcada por má administração, endividamento crônico, negociações nebulosas, venda de atletas a preços irrisórios e uma estrutura de poder sustentada pela ausência de oposição. Essa mesma gestão, agora, simplesmente retorna aos bastidores como se nada tivesse acontecido.
Em uma decisão surpreendente, o presidente interino reinstalou em cargos estratégicos nomes historicamente ligados a desmontes de elencos, contratos publicitários duvidosos e decisões administrativas desastrosas. Trata-se de um retrocesso em todos os sentidos.
Não estou aqui para defender Augusto. Se houver comprovação de má fé ou gestão temerária, que ele arque com as consequências. Mas é impossível ignorar a velocidade dos acontecimentos. Em menos de uma semana após sua saída, o responsável pelo processo de impeachment foi afastado pelo conselho de ética. Como compreender que alguém que, teoricamente, agiu corretamente, tenha sido silenciado tão rapidamente? É difícil não lembrar das lições da História: em momentos de crise institucional, sempre se encontra um bode expiatório — alguém precisa ser sacrificado para que o poder continue concentrado nas mãos de poucos.
O “Clube da Democracia” se transformou, tragicamente, em um clube de monarquia velada, onde decisões são tomadas por um círculo fechado e qualquer tentativa de ruptura é punida exemplarmente — muitas vezes em praça pública, sob aplausos de uma torcida dividida e emocionalmente exaurida - sendo usado como exemplo para os próximos que ousarem tentar I mesmo feito.
Confesso que tenho perdido o sono pensando no que o futuro reserva para o Corinthians, que representa uma das maiores paixões da minha vida. Ainda nutro a esperança de que um dia voltaremos a ser uma instituição respeitada e transparente. Mas, da mesma forma que a polarização política destruiu amizades, fragmentou famílias e comprometeu o futuro do nosso país, ela agora corrói o clube por dentro, contaminando até mesmo a torcida mais apaixonada do mundo.
Não tenho poder, nem influência, para mudar os rumos do clube. Este é apenas o desabafo sincero de alguém que vive Corinthians há 30 anos e hoje se vê tomado por incertezas. Que as organizadas — aquelas que ainda mantêm um fio de consciência coletiva — despertem a tempo.
Que Deus abençoe o Corinthians
