Bruno Lélis
Sofri e sorri muito com o Timão desde 1988. Chorei vendo o time que jogava por música com Vampeta, Rincón, Ricardinho, Marcelinho, Luisão e Edílson ser eliminado pelo pragmático futebol do Felipão no Palmeiras, duas vezes. Ao mesmo tempo que esse elenco nos alegrou com o segundo e terceiro título do brasileirão.
Ficava ansioso quando a bola caia no pé do Ricardinho, Gil ou Kleber no melhor lado esquerdo do mundo comandado por Parreira, era só esperar que ia sair coisa boa. Mesmo o elenco desequilibrado dos galácticos em 2005 com o desequilibrante Tevez e o veloz Nilmar no ataque e os instáveis Betão e Marinho na zaga, nos alegraram. Vivemos o rebaixamento, o luto, mas voltamos maiores, mais apaixonados e melhores.
E quano não havia internet ou era cara, eu não trabalhava e não assinava canais, era torcer pra ter jogo na globo ou acompanhar pelo radinho de pilha
Mas nada para mim se compara a 'O dia' em que o Corinthians libertou milhões de corações – minha maior emoção com o Timão
04 de julho de 2012.
Esse dia não foi só mais uma data no calendário. Foi o dia em que o Corinthians, o time do povo, libertou milhões de corações de um sofrimento antigo, pesado e cheio de piadas injustas. Foi o dia em que o torcedor corintiano, por tantas vezes desacreditado, pode enfim gritar: somos campeões da América!
Lembro como se fosse hoje. Estava com meu pai, corintiano roxo que me ensinou desde pequeno que torcer para o Timão era mais do que futebol: era resistência, era amor incondicional, era sofrer junto e se levantar ainda mais forte.
Naquela noite mágica contra o Boca Juniors, parecia que o mundo parou. E dentro de campo, cada jogador escreveu sua parte nessa história. Cássio, de contratação duvidosa a herói, com defesas impossíveis que calaram os adversários e protegeram nosso sonho como um guardião incansável. Ralf, gigante como sempre, o cão de guarda que não deixou ninguém passar. Paulinho e JH, com alma e pulmão de corintiano.
A frieza de ZiDanilo e Alex. E o que falar do Sheik, o nome que está eternizado na nossa história? Dois gols. Dois gritos que eu nunca vou esquecer. Chorei. Gritei. Estava livre. Estávamos livres.
Não dá pra esquecer também do levezinho, o guerreiro Liedson, e do brilho espontâneo de Romarinho, que já tinha deixado a gente sonhar com aquele gol salvador na Argentina.
Aquela Libertadores foi mais do que um título. Foi a libertação de uma nação apaixonada. Foi um pedido de desculpas da história por tanto tempo sem reconhecimento. Foi a noite em que o mundo teve que se render ao Bando de Loucos.
Obrigado, Corinthians. Você não me deu só um título. Me deu uma memória eterna com meu pai.
Vai, Corinthians!
Porém. Antes de Ir Corinthians, precisamos de uma segunda libertação, mais séria e mais complexa. Precisamos ser um clube bem administrado, livre de polêmicas e denúncias que só mancham a centenária e gloriosa história do Timão. Não queremos ver nosso Corinthians nas páginas policiais, no serasa ou sempre relacionado à notícias ruins. E estou ansioso pela segunda libertação, mais até do que estava na primeira.
Agora sim, VAI CORINTHIANS!

